ENTRETENIMENTO
Coluna – Nova geração de videogames se aproxima
Novos PlayStation e Xbox prometem velocidade e maior acessibilidade
A próxima geração de videogames pode até ter gerado baixa expectativa entre jogadores mais entusiastas. Afinal, faltando poucas semanas para os lançamentos do Xbox Series e do PlayStation 5, somente nos últimos dias tivemos detalhes relevantes, e muito aguardados, sobre esses consoles, como datas de lançamento e preços. 

Em outros tempos, seríamos inundados de informações em feiras de jogos eletrônicos como a E3, Tokyo Game Show e Gamescom. Nesses eventos, jornalistas e público teriam acesso antecipado a essas máquinas e poderiam testemunhar as experiências com os novos videogames. Nada disso tem acontecido. O novo coronavírus (covid-19) provavelmente tem alguma parcela de culpa nessa questão: não é difícil supor que o impacto do isolamento social tenha provocado atrasos no desenvolvimento da próxima geração.
Mas acredito que a velocidade e a quantidade de dados a que temos acesso tenha provocado uma certa ansiedade descabida. Foi-se o tempo dos anúncios-surpresa: é raro não descobrimos informações sobre games antecipadamente, de forma não-oficial, seja por meio da imprensa, ou boatos divulgados anonimamente na internet. Embora não venham de fontes muito confiáveis, por vezes eles trazem experiências, ou um histórico de acertos que validam os depoimentos.
Muitos se esquecem também que lançamentos de novos consoles não costumam ser empolgantes. No caso do PlayStation 4, os títulos encontrados nas lojas no primeiro dia eram, em sua maioria, jogos requentados ou versões “premium” de jogos disponíveis na geração anterior. Único exclusivo relevante foi o Killzone: Shadow Fall, que até teve uma recepção positiva na época, mas convenhamos, não é lembrado em nenhuma lista de melhores games do PS4.
O caso do Xbox One é uma história já contada diversas vezes por aí: um marketing confuso e decisões erradas, como a exigência da conexão online ininterrupta e a impossibilidade de reaproveitar discos usados. Tais características acabaram com a reputação do videogame da Microsoft, fabricante que na época liderava o mercado com seu Xbox 360. Essas e outras medidas polêmicas acabariam sendo derrubadas antes do lançamento, mas o estrago já estava feito. Além disso, assim como aconteceu com o PlayStation 4, a linha de jogos no 1º dia do console era recheada de títulos multiplataforma reaproveitados. Único exclusivo relevante era Killer Istinct, outro game não muito lembrado nos dias de hoje.
Eu acredito, porém, que existam bons motivos para se empolgar. Diferentemente da última transição entre gerações de videogames, imagino um possível salto técnico e conteúdo relevante no PC, PlayStation 5 e Xbox Series. Mais do que qualquer aprimoramento no realismo gráfico dos jogos eletrônicos, creio que a maior novidade será a velocidade de leitura no disco rígido de armazenamento. Isso pode significar o fim das longas telas de loading: as partidas não só iniciarão mais rapidamente, como a tecnologia permitirá que desenvolvedores ousem mais na criação de fases. Mudanças repentinas de cenários, por exemplo, que seriam impossíveis na atual geração, poderão acontecer de forma instantânea no PlayStation 5, Xbox Series e nos computadores que utilizem tecnologia DirectStorage, já aplicada nas placas de vídeo Nvidia GeForce 3000, anunciadas no início deste mês.
Isso, com certeza, eliminaria sequências repetidas, e um tanto manjadas, nos consoles atuais, como trechos em elevadores, dutos de ar, ou que exijam o uso de alavancas pesadas. Recursos que apenas disfarçam o longo carregamento de cenários escondidos da tela do jogador, e funcionam como uma tela de carregamento interativa. A nova tecnologia também permitirá que a quantidade de dados necessários para armazenar os jogos seja menor, tornando o download deles não só mais práticos. Além disso, possibilitará aos criadores incluírem mais conteúdo.
Vale apontar ainda para a própria evolução do mercado de trabalho dessa indústria. A cada ano, mais e mais pessoas optam pela carreira profissional de desenvolvedores de jogos. São criadores que, diferentemente de seus pais e avós, cresceram com os videogames, e hoje encontram ferramentas de trabalho cada vez mais baratas e acessíveis, além de uma valiosa troca de informações pela internet. Pode ser a era de ouro das produções independentes, antes restrita a computadores, mas agora pulverizadas em todas as plataformas.
Os próximos consoles também prometem ser mais acessíveis. O PlayStation 5 chega ao Brasil com valor a partir de R$ 4,5 mil. Já o Xbox Series, que ainda não tem preço confirmado por aqui, será vendido nos Estados Unidos a partir de US$ 300. Se comparado ao preço de outras gerações durante os lançamentos, são valores mais baratos se ajustados à inflação..
A próxima geração de placas de vídeo Nvidia também surpreendeu. Embora o modelo de entrada RTX 3070 seja mais poderoso que o RTX 2080 Ti, até então o mais potente da marca, o custo ao consumidor será de apenas US$ 499. Ou seja, menos da metade do valor ofertado na placa 2080 Ti em seu lançamento. Claro que montar um PC para jogar – a plataforma mais adotada no esporte eletrônico – envolve muito mais que comprar uma placa de vídeo pujante. Obstáculos financeiros e eventuais complicações na instalação e atualização de software e hardware (problema inexistente em consoles) podem tornar o PC gamer inviável, ou no mínimo desaconselhável para a maior parte dos consumidores. Ainda assim, a nova linha da Nvidia deve acirrar a concorrência e pode segurar, e até causar uma queda relevante de preços de videogames e de peças de computador, principalmente aquelas mais modestas ou ultrapassadas.
Os serviços de assinaturas, que dão acesso a centenas de jogos mediante o pagamento de uma mensalidade, também devem impactar a indústria. Por enquanto, o Game Pass da Microsoft tem ditado as redeas desse segmento. Uma das formas de adquirir o Xbox Series S nos Estados Unidos será com parcelamento mensal, 24 vezes, já incluindo os serviços Game Pass e Live Gold. Na quarta-feira (16), a Sony anunciou algo mais modesto, o PS Plus Collection, que permitirá aos atuais assinantes do PlayStation Plus, baixar 18 jogos de PS4 para jogar no PS5, sem nenhum custo adicional,.
E quanto à Nintendo? A empresa japonesa, como sempre acontece, corre “por fora” com seus videogames mais modestos, porém bastante inovadores. Por vezes fica atrás de seus concorrentes, como ocorreu com o GameCube ou Wii U, mas em outras consegue liderar esse mercado, como acontece hoje com o Switch, um console híbrido barato e com uma proposta diferente que cativou os jogadores. Segundo o portal de notícias do mercado financeiro Bloomberg, a casa do Mario estaria preparando uma versão mais poderosa do console, com suporte de resolução 4K, para fazer frente às novidades da concorrência. Mas, no curto prazo, nada aponta para o lançamento de um sucessor para a próxima geração de consoles.
Edição: Cláudia Soares Rodrigues
ENTRETENIMENTO
Emissoras públicas buscam novos formatos para fortalecer parcerias
TV Brasil é apontada como janela importante para produções regionais
Encontrar uma voz feminina para a locução do São João de Caruaru, em Pernambuco, era a missão do reality A Voz Dela. O programa, da televisão pública da cidade, a PrefTV, mobilizou Caruaru, que acompanhou 11 mulheres disputando a chance de apresentar uma das festas mais tradicionais do país.

A competição, que incluiu testes de improvisação, conquistou fãs e foi apresentada no encontro da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), nesta terça-feira (19), no Rio de Janeiro.
“Em um dos palcos principais do São João de Caruaru, a gente não tinha presença feminina, como locutora, anunciando atrações, dando avisos e fazendo as promoções”, contou a apresentadora do A Voz Dela, a jornalista Rebeca Nunes.
“Tivemos essa ideia em conjunto, para trazer mulheres que não são, necessariamente, da comunicação, são mulheres comuns, mas que têm uma boa desenvoltura e o sonho de estar ali, naquele palco, que fala para milhares de pessoas”, complementou sobre o programa, que em 2026 fez a segunda edição ao vivo, na TV e internet.
Mais tempo na tela da TV Brasil para esse tipo de produção é uma das propostas da cadeia de emissoras de rádio e TV da RNCP, que é coordenada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e formada por uma maioria de emissoras não comerciais. A possibilidade de veicular ou exibir conteúdo regional está entre as principais razões de adesão à cadeia do Sistema Público, explicou Welder Alves, Gerente de Rádio, Projetos Especiais e Mídia Digitais do Sistema Encontro das Águas (antiga TV Cultura do Amazonas).
Ao entrar para a RNCP, a TV Encontro das Águas já teve vários programas e reportagens exibidos pela TV Brasil e pela Rádio MEC, como o Festival de Óperas e a cobertura da COP-30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), realizada em 2025, no Pará. Mesmo assim, as afiliadas veem espaço para mais.
“A rede tem, entre suas várias demandas, uma que se sobressai, que é a ampliação da presença de produções regionais na programação”, afirmou Welder.
Ele citou um cálculo com dados da EBC constatando que os programas das parceiras ocupam 11,3% da grade da TV Brasil, entre 6h e meia-noite, o que considerou importante.
Para desenvolver novas estratégias para veiculação nacional, a RNCP pretende fazer discussões em câmaras, com o fim do encontro, nesta terça.
A presidenta da EBC, Antonia Pellegrino, ex-diretora de Conteúdo e Programação da empresa, disse que a EBC está em um novo momento, no qual as transformações tecnológicas, como a chegada da TV 3.0, que pretende integrar televisão e internet, exigirão que todos estejam no mesmo patamar.
“Nós somos um campo [o campo público]”, disse Pellegrino. “Cabe a cada emissora fazer a sua programação, criar o seu conteúdo, trazer a sua linguagem e se colocar na mesma prateleira, juntos, subvertendo hierarquias.”
O diretor-geral da EBC, David Butter, reconheceu que a rede da EBC não “tem que se prender a modelos” existentes.
“Nós podemos ter soluções próprias”, afirmou. Segundo ele, o papel da EBC é de ser facilitadora da relação, “mais do que uma cabeça de rede alimentada por afiliadas”.
“Não precisa ser assim”, disse. “Cabe à EBC ver oportunidades e compartilhar com suas emissoras parceiras”, completou.
As parcerias têm o apoio dos trabalhadores da EBC e da sociedade civil. Integrante do Comitê de Participação, Diversidade e Inclusão, instaurado ano passado, a jornalista Cibele Tenório defende que as afiliadas busquem uma relação horizontal com a EBC.
“Não podemos, como rede, repetir o modelo de rede comercial”, destacou Cibele. “A TV só pode ser chamada Brasil, se ela tiver o Brasil na tela, se os sotaques estiverem na tela e as pessoas se virem nessa tela.”
Cibele também elogiou experiências como os programas independentes contratados pela Rádio Educadora da Bahia, gerida pelo Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia. A contratação dos conteúdos se deu por edital afirmativo e escolheu programas sobre diversos gêneros musicais, como música baiana, africana, rap e trap, que o Iderb ofereceu para veiculação por emissoras que integram a RNCP, gratuitamente.
Carta do Rio
Ao final do encontro da Rede Nacional de Comunicação Pública, foi apresentado um rascunho da Carta do Rio, com resumo das reivindicações e análises das afiliadas sobre o cenário da comunicação pública no país.
No documento, gestores da rede reforçam o pedido por repartição de recursos federais oriundos da Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública (CFRP). Segundo o site da Anatel, em 2025, a EBC recebeu R$ 3,8 milhões da CFRP.
“O foco da carta é a defesa da sustentabilidade financeira das emissoras e formas de financiamento, não dá para ser uma única [fonte]”, analisou o diretor-geral da Fundação Carmélia Maria de Souza, Igor Pontini.
Ele é responsável pela gestão do Sistema de Rádio e Televisão do Espírito Santo e defende a criação de uma instituição, nos moldes de uma associação, para reunir as emissoras públicas de TV.
A Carta do Rio, acrescentou Pontini, também reconhece importantes iniciativas da EBC, como a criação de uma política de inovação e o apoio às novas afiliadas.
O documento será enviado a órgãos de governo como a Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Casa Civil, Secretaria-Geral da Presidência e ministérios.
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