INTERNACIONAL
China exige medidas do Irã contra ataques dos rebeldes Houthis no Mar Vermelho
Beijing enfatizou que qualquer prejuízo a seus interesses poderia afetar os negócios com Teerã, de quem é o maior parceiro comercial
Beijing pediu a autoridades iranianas que controlem os ataques dos Houthis no Mar Vermelho, alertando sobre potenciais impactos que a continuidade das ações dos rebeldes iemenitas podem causar nas relações comerciais entre China e Irã. As discussões ocorreram em encontros recentes na capital chinesa e em Teerã, abordando ataques a navios e comércio bilateral, mas sem detalhes específicos divulgados, segundo informações da agência Reuters.
Nesta sexta-feira (26), durante uma coletiva de imprensa em Beijing, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, se disse preocupado com o aumento das tensões no Mar Vermelho. Ele fez um apelo à cessação dos ataques e assédios contra navios civis, instando todas as partes envolvidas a “interromperem as ações que contribuem para a escalada das tensões na região”, repercutiu a revista Times.
Um oficial iraniano, em conversa anônima com a reportagem, revelou que a China expressou sua preocupação com a situação, indicando que qualquer prejuízo aos seus interesses poderia afetar os negócios com Teerã. A orientação chinesa seria pedir aos Houthis que demonstrem “contenção”, disse a fonte.
Usando drones e mísseis em seus ataques, os Houthis, apoiados pelo Irã, começaram a atacar navios comerciais em novembro, sob o argumento de que eles servem a Israel e declarando apoio aos palestinos de Gaza durante no conflito entre Tel Aviv e o Hamas.
Como resultado das ofensivas, o frete ficou mais caro, gerando a expectativa de que a economia global seja afetada. Pela região passa cerca de 15% do comércio global. O grupo iemenita se absteve de atacar navios da China e Rússia, aliados de Teerã, desde que não tenham conexões com o Estado judeu. Os EUA já haviam pedido a Beijing para pressionar o regime iraniano a conter as ações dos insurgentes.
As autoridades chinesas, não detalharam ameaças ou comentários específicos sobre como a relação comercial entre o gigante asiático e a República Islâmica poderia ser afetada pelos ataques dos Houthis, informaram as fontes iranianas.
Apesar de ser o principal parceiro comercial do Irã, a dinâmica comercial é desigual, com refinarias chinesas adquirindo mais de 90% das exportações de petróleo bruto iraniano no ano passado, aproveitando enormes descontos devido às sanções dos EUA que afastaram outros compradores.
A China depende do petróleo iraniano em apenas 10% de suas importações totais de petróleo bruto, tendo uma diversidade de fornecedores alternativos para compensar possíveis déficits.
Impaciência
Segundo informações iranianas, Beijing comunicou claramente a Teerã seu desapontamento potencial caso algum navio vinculado à China fosse atacado ou se os interesses chineses fossem prejudicados. Apesar da relevância da China para o Irã, este último mantém influência por meio de proxies em diversas regiões, como Gaza, Líbano, Síria, Iraque e apoia os Houthis no Iêmen. As alianças regionais e prioridades estratégicas do Irã desempenham um papel fundamental em suas tomadas de decisão, conforme sublinhado por fontes em Teerã.
Sinais recentes indicam que a China está perdendo a paciência com a situação. No dia 10 de janeiro, o representante chinês na ONU (Organização das Nações Unidas), Zhang Jun, fez um apelo veemente pelo fim dos ataques.
O Irã considera os Houthis, aliados ao Hamas em Gaza e ao Hezbollah no Líbano, como parte do seu “eixo de resistência”.
INTERNACIONAL
Filho de Ali Khamenei é o novo Líder Supremo do Irã
Aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei substituirá o pai, morto em ataque
A assembleia dos Especialistas (ou dos Peritos) do Irã definiu que o novo líder supremo do país é o aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, morto em um ataque dos Estados Unidos, no final de fevereiro.

A informação de que o novo líder havia sido escolhido havia sido adiantada por um dos representantes da assembleia, Mohsen Heidari Alekasir, no início deste domingo (8). “A opção mais adequada, aprovada pela maioria da Assembleia de Especialistas, foi escolhida”. O nome, no entanto, não havia sido revelado.
Seyyed Mojtaba Khamenei é o segundo filho de Ali Khamenei e tem 56 anos. A escolha indica uma decisão da Assembleia de manter a linha já adotada pelo antecessor.
Mojtaba acumulou poder sob o comando de seu pai como uma figura sênior próxima às forças de segurança e ao vasto império de negócios que elas controlam. Ele se opôs aos reformadores que buscam se envolver com o Ocidente, que tenta restringir o programa nuclear do Irã.
Líder supremo
No cargo de líder supremo há 36 anos, Ali Khamenei estava no topo da estrutura de Poder da República Islâmica do Irã que, além do Executivo, do Parlamento e do Judiciário, conta com o Conselho dos Guardiões, formado por seis indicados do próprio Aiatolá Khamenei e seis indicados pelo Parlamento.
Outro órgão político típico da República Islâmica é a Assembleia dos Especialistas, ou dos Peritos, formada por 88 religiosos eleitos pelo voto popular. Essa assembleia é responsável por eleger o aiatolá que será o líder supremo do Irã. Apesar de o cargo ser vitalício, a Assembleia dos Especialistas pode destituí-lo.
Israel promete assassinar escolhido
Na última quarta-feira (4), o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse que o próximo líder Supremo do Irã será assassinado.
“Será um alvo inequívoco para eliminação. Não importa qual seja o nome dele ou onde ele se esconda”, disse em uma rede social.
Estima-se que a guerra de Israel e dos EUA contra o Irã já tenha custado a vida de, pelo menos, 1.332 civis, segundo autoridade iraniana. Entre as vítimas dos ataques, esteve uma escola de meninas, onde 168 crianças foram mortas, expondo os horrores que o conflito pode produzir.
* com informações da agência Reuters
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