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SEGURANÇA INTERNACIONAL – China amplia arsenal nuclear em ritmo bem superior ao que se pensava, diz Pentágono

Washington afirma que Beijing planeja atingir 700 ogivas nucleares até 2027 e mil até 2030, com a meta de superar o arsenal dos EUA até 2049

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Sistema de lançamento de mísseis de longa distância do exército chinês (Foto: eng.chinamil.com.cn/Liu Hengwu)

O arsenal nuclear da China tem aumentado num ritmo muito maior que o imaginado anteriormente, levando a nação asiática a reduzir a desvantagem em relação às forças armadas dos Estados Unidos nessa área. A afirmação consta de um relatório publicado na última quarta-feira (3) pelo Pentágono, segundo a rede Voice of America.

O documento sugere que as forças armadas chinesas podem atingir a marca de 700 ogivas nucleares ativas até 2027, tendo como meta atingir mil até 2030. Para efeito de comparação, o relatório anterior do Pentágono falava em um arsenal de pouco mais de 200 dispositivos, com a possibilidade de dobrá-lo até o final da década.

Por ora, o poder de fogo da China não se compara ao dos Estados Unidos, que têm cerca de 3,8 mil ogivas nucleares e não planejam ampliá-lo. Na verdade, o arsenal norte-americano foi drasticamente reduzido nos últimos anos, considerando que em 2003 eram cerca de 10 mil dispositivos ativos. Porém, se mantiver o projeto de longo prazo, a China planeja igualar ou mesmo superar tais números até 2049.

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Além de ampliar seu arsenal, a China trabalha para estabelecer uma “tríade nuclear”, segundo a agência catari Al Jazeera. A meta é desenvolver a capacidade de lançar ogivas nucleares a partir de mísseis balísticos baseados em terra, de mísseis lançados do ar e de submarinos.

Risco de um conflito

O fortalecimento militar chinês gera preocupação entre os norte-americanos devido à questão de Taiwan. Na visão de um oficial de defesa que prefere não se identificar, tal movimento pode forçar a ilha a abandonar suas aspirações de soberania e se colocar definitivamente sob domínio do Partido Comunista Chinês (PCC). Como os EUA são o principal aliado militar de Taiwan, uma invasão de Beijing poderia desencadear um conflito entre as duas superpotências.

“Estamos obviamente preocupados com os esforços [da China] para desenvolver suas capacidades para 2027 e observando isso de perto”, disse o oficial, deixando claro que a preocupação não pode se restringir ao futuro, vez que o risco de conflito é bastante atual.

No mesmo dia em que o relatório foi divulgado, o general Mark Milley, líder da junta de chefes do Estado-Maior, cobrou uma resposta de Washington. “Se nós, os militares dos Estados Unidos, não fizermos uma mudança fundamental em nós mesmos nos próximos dez, 15 ou, 20 anos, estaremos do lado errado de um conflito”, afirmou.

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Ele citou não apenas o arsenal nuclear, mas outras questões que tornaram-se prioritárias para a China no âmbito militar. Entre elas, robótica, inteligência artificial e munições de precisão. “Estamos testemunhando uma das maiores mudanças no poder geoestratégico global”, afirmou.

A China contestou o documento, segundo o site The Defense Post. “O relatório divulgado pelo Departamento de Defesa dos EUA, como relatórios semelhantes anteriores, ignora os fatos e é cheio de preconceitos”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin. Segundo ele, Washington “exagera na conversa sobre a ameaça nuclear da China”, e a verdade é que os EUA são a “maior fonte de ameaça nuclear do mundo”.

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SEGURANÇA INTERNACIONAL – Atento a China e Coreia do Norte, premiê do Japão fala em intensificar as defesas

Receoso do crescente poderio bélico dos vizinhos, Fumio Kishida falou que iria “considerar todas as opções”

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O primeiro-Ministro Fumio Kishida durante discurso em outubro (Foto: WikiCommons)

Sob a justificativa de que China e Coreia do Norte representam uma potencial ameaça à segurança nacional, o recém-empossado primeiro-ministro japonês Fumio Kishida voltou a falar, neste sábado (27), em reforçar a capacidade de defesa do país. Receoso do crescente poderio bélico dos vizinhos, ele afirmou que iria “considerar todas as opções”, segundo relatou a agência catari Al Jazeera.

A autoridade japonesa se manifestou sobre a segurança na região durante uma revista de tropas no fim de semana. De acordo com Kishida, a atmosfera, que já é tensa, estaria “mudando rapidamente”, e “a realidade é mais severa do que nunca”. Ele se referiu ao fato de que a Coreia do Norte segue com testes de mísseis balísticos enquanto aumenta sua capacidade de ataque, enquanto a China segue em busca de incremento militar e tem “atividade cada vez mais assertiva”, além de ter ampliado o arsenal nuclear.

“Vou considerar todas as opções, incluindo possuir a chamada ‘capacidade de ataque da base inimiga’, de forma a buscar o fortalecimento do poder de defesa que é necessário”, disse Kishida a cerca de 800 membros da Força de Autodefesa Terrestre.

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No cargo desde outubro, Kishida, ligado ao Partido Liberal Democrático (PLD, a direita conservadora japonesa), sustenta um discurso defensivo e alega que coisas que costumavam acontecer somente na ficção científica são a realidade de hoje.

“O ambiente de segurança em torno do Japão está mudando rapidamente, a uma velocidade sem precedentes”, disse ele, acrescentando que seu governo conduzirá discussões “calmas e realistas” que resultarão em um entendimento sobre o que é necessário para proteger a vida dos cidadãos do país.

No entanto, a perspectiva de Kishida em possuir a chamada capacidade de ataque à base inimiga levantou uma questão polêmica, com seus opositores políticos alegando que a medida estaria contrariando a constituição japonesa de renúncia à guerra.

O político mudou sua postura dovish para uma mais hawkish – termos usados na política econômica, onde o primeiro significa um conceito expansionista, e o segundo, uma doutrina contracionista. Analistas dizem que, aparentemente, Kishida estaria agindo dessa forma para agradar líderes influentes dentro de seu partido no governo e se fortalecer, entre eles o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe. Com essa postura, o premiê tem defendido o aumento da capacidade e dos gastos militares japoneses.

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Bilhões para a defesa

Para impulsionar sua visão de segurança nacional, que inclui ainda temores com a Rússia, o Gabinete de Kishida aprovou na última sexta-feira (26) um orçamento extra de defesa de 770 bilhões de ienes (cerca de US$ 6,8 bilhões). O dinheiro deverá ser utilizado para alavancar a compra de mísseis, foguetes anti-submarinos e outras armas. O pedido ainda depende de aprovação do parlamento

A cifra é um recorde para um orçamento de defesa extra e levará os gastos militares do Japão para 2021 a um nova marca histórica de mais de 6,1 trilhões de ienes (US$ 53,2 bilhões), o que representa aumento de 15% em relação a 2020.

Críticos do primeiro-ministro argumentam que o país, nação com o maior número de idosos do mundo e com uma população em declínio, deveria reservar mais dinheiro para saúde e outros serviços. Kishida bate o pé e diz que está aberto a dobrar os gastos militares para lidar com as questões de segurança.

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