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O que está por trás da distribuição global de vacinas da China

Beijing diz rejeitar uso de doses em ação geopolítica, mas usa avanço tecnológico veloz para alavancar liderança

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Vacina Coronavac, produzida por farmacêutica chinesa, em registro de dezembro de 2020 (Foto: Divulgação/Marco Verch)

China tem rejeitado as acusações de ter “objetivos políticos” em sua distribuição de imunizantes contra a Covid-19. Nesta quarta (10), o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Zhao Lijian, foi enfático: “não fazemos diplomacia de vacinas”.

“Acreditamos que as doses são um bem público e buscamos enviá-las para o máximo de países possível. Isso é algo que todo o país desenvolvido deveria fazer”, afirmou, em registro do portal estatal China News.

Mas sempre há um objetivo, argumenta um relatório da tradicional revista norte-americana “Foreign Affairs”. Ao demonstrar sua capacidade tecnológica, a China pavimenta seu estratégico caminho rumo ao pódio da liderança global em saúde.

Como consequência, Beijing apresenta a “superioridade” de seu modelo autoritário de governança. “Os EUA não são páreo para a China em termos de concentração de poder para realizar grandes feitos”, disse um virologista chinês ao jornal “Global Times”, financiado pelo governo local, em março de 2020.

A narrativa de que não existe um movimento estratégico na criação da diplomacia das vacinas serve como resposta aos críticos que apontam um pragmatismo natural em sua distribuição – embora a questão geopolítica seja e sempre tenha sido fio condutor de decisões das potências globais.

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No caso da vacina, moeda valiosa em todo o mundo após um ano de pandemia, os produtos feitos na China foram doados a 69 países para uso entre profissionais da saúde e populações de risco. Outras 28 nações negociam a compra das doses com preços abaixo dos valores de mercado.

Competição elevada

O regime autoritário da China certamente favoreceu o controle da pandemia, argumenta a “Foreign Affairs”. Além de permitir lockdowns draconianos para diminuir a circulação do vírus, o governo central mobilizou 22 institutos e empresas para trabalhar em 17 projetos de desenvolvimento de vacinas.

O país iniciou os testes clínicos de Fase 1 das doses já em fevereiro de 2020 – um mês após o início da pandemia em Wuhan. O apoio do governo permitiu às farmacêuticas um baixo custo para a produção das doses, movimento que pode elevar a China à categoria de player relevante na área de saúde em um espaço dominado pelos EUA e pela Índia.

O passo seguinte das farmacêuticas chinesas foi garantir a pré-qualificação da OMS (Organização Mundial da Saúde) para fornecer suprimentos médicos a organizações internacionais e fundos de doadores – algo inédito até então.

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Já os imunizantes feitos no país, ao contrário de diversos concorrentes ocidentais, podem ser armazenados em uma faixa de temperatura fácil de alcançar em geladeiras de uso doméstico, dispensando freezers muito potentes.

O armazenamento simples faz com que as doses sejam as favoritas de países de média e baixa renda – mas também de nações abastadas, como os Emirados Árabes Unidos. Para a China, agora o desafio é garantir as entregas dos imunizantes nos prazos acordados nos contratos.

O que está por trás da distribuição global de vacinas da China
Profissional da saúde coleta amostra para teste à Covid-19 na cidade de Tianjin, ao norte da China, em novembro de 2020 (Foto: Xinhua)
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Crise energética chinesa põe vidas em risco e ameaça o controle inflacionário global

Na China, temor é com a queda de temperaturas. No resto do mundo, o que preocupa é o aumento dos preços nos produtos chineses

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Por Editor

crise energética já é uma realidade na China, e a política de racionamento tem deixado residências e indústrias no escuro sem aviso prévio, por períodos que variam entre algumas horas até dias inteiros. A preocupação da população aumenta conforme se aproxima o inverno, com temperaturas negativas e maior demanda por eletricidade, o que coloca desde já muitas vidas em risco. As informações são da revista Forbes.

O racionamento, imposto inclusive a grandes indústrias, levou muitos empresários a investir em geradores movidos a diesel para não paralisar totalmente a produção, fazendo a venda dos aparelhos disparar no país. Enquanto algumas empresas, entre elas a Shandong Huali Electromechanical, registraram aumento acentuado nas vendas, outras, como a Weifang Yuxing Power Company, venderam todo o estoque em setembro. A escassez de geradores pode contribuir para a falta de calefação, o que seria fatal para muitas pessoas no inverno que se aproxima.

Entenda o problema

A crise energética pode ser explicada por uma junção de fatores concomitantes. As fortes chuvas causaram inundações nas principais províncias produtoras de carvão da China, sobretudo Xanxim, de onde sai cerca de 30% de todo o carvão consumido no país. Paralelamente, aumentou a demanda global por produtos chineses, com o afrouxamento das restrições impostas pela pandemia de Covid-19.

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Também pesam as políticas de energia conflitantes do Partido Comunista Chinês (PCC), como o investimento forçado em fontes limpas. Num país extremamente dependente da geração de energia por usinas a carvão, o governo se viu forçado a suspender os limites de produção antes existentes por razões ambientais. O aumento significativo do preço do carvão e do gás natural em todo o mundo contribuem para a situação.

Adam Ni, analista do China Neican, um think thank australiano, afirma que as autoridades locais tiveram que recorrer ao racionamento porque os preços da eletricidade são controlados na China. “Com o aumento dos preços dos insumos, mas com os preços fixos do serviço de fornecimento, a geração de eletricidade se tornou menos lucrativa. E pode até se tornar um empreendimento deficitário”, disse ele.

Ni também cita a preocupação com o inverno, quando a demanda de energia aumenta sobretudo no frio nordeste chinês. E diz que o racionamento é uma estratégia do governo para reduzir a insatisfação popular. “Uma vez que o aumento dos preços da eletricidade pode levar a mais descontentamento social do que o racionamento, especialmente entre as famílias, as autoridades optaram por restringir a demanda por meio do racionamento”.

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Crise energética chinesa põe vidas em risco e ameaça o controle inflacionário global
Mina de carvão: preço do produto e questão ambiental geraram crise energética na China (Foto: Albert Hyseni/Unsplash)

Alternativas possíveis

Uma das soluções encontradas pelo PCC foi afrouxar o controle do preço da eletricidade. A principal agência de planejamento econômico do país autorizou uma variação de até 20% no valor da energia fornecida a partir do carvão, a fim de forçar uma redução de consumo com base no aumento dos custos. Essa ação, porém, não será suficiente.

A indústria é responsável por 59% de todo o consumo energético da China, com destaque para indústrias pesadas como produção de cimento e fundição de alumínio e aço. Assim, o aumento do preço da eletricidade nesses setores será repassado ao consumidor final no preço dos produtos, estabelecendo uma maior pressão inflacionária no país.

E os efeitos não serão sentidos apenas na China. Com a cadeia de consumo global habituada aos baixos preços oferecidos pela indústria chinesa, a inflação doméstica impactaria no mundo inteiro, a não ser que a crise energética seja solucionada ou ao menos amenizada.

Portanto, a solução mais nítida no momento seria afrouxar as medidas ambientais e voltar a investir o quanto for necessário em fontes poluentes, como o carvão. A situação da China mostra a países de todo o mundo que jamais se poder dar por garantida a segurança energética.

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