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Investigação indica que grupo russo de hackers é mais poderoso que se imaginava

Infraestrutura do UNC1151 é tão grande que reforça as suspeitas de que o grupo seja patrocinado pelo Kremlin contra os governos ocidentais

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Segurança digital é um dos desafios da pandemia de Covid-19 (Foto: Nahel Abdul Hadi/Unplash)

A empresa norte-americana Prevailion, especialista em inteligência cibernética e segurança digital, obteve novas informações sobre os hackers russos do UNC1151, que Washington acredita atuarem a serviço do Kremlin. A constatação é de que o grupo é muito mais poderoso do que se imaginava, o que reforça as suspeitas de apoio estatal para manutenção de tamanha infraestrutura. As informações são da agência Business Wire.

“A infraestrutura de phishing (ação maliciosa de enganar as pessoas para que compartilhem informações confidenciais) especialmente criada que descobrimos é extensa para uma campanha de desinformação e mostra que eles a construíram para resiliência de longo prazo e provavelmente têm algum tipo de apoio financeiro, o que reforça as suspeitas de que são patrocinadas pelo Estado”, disse Karim Hijazi, CEO da Prevailion.

De acordo com a empresa, a infraestrutura online do UNC1151 é três vezes maior que o registrado anteriormente, e as atividades cibernéticas maliciosas do grupo são mais amplas e mais agressivas do que se suspeitava originalmente. São operações que continuam a evoluir e a se expandir.

“Os domínios que descobrimos parecem ser a infraestrutura de backup do grupo, para a qual eles provavelmente mudaram depois que os pesquisadores de segurança expuseram outros domínios em relatórios anteriores. Isso mostra um alto nível de sofisticação, já que UNC1151 parece ter previsto algum nível de desgaste de domínio pela comunidade de segurança e tinha backups para manter sua operação com interrupção limitada”, afirmou Hijazi.

A UNC1151 é responsável por uma série de atividades maliciosas em andamento em toda a Europa, campanha batizada como Ghostwriter, com o objetivo de desestruturar a política ocidental europeia. São atividades que envolvem campanhas de desinformação contra a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), espionagem cibernética e operações de hack e vazamento de dados com viés político.

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Por que isso importa?

Um relatório da empresa de segurança digital Analist1, divulgado no dia 11 de agosto, já havia atestado que Moscou é responsável pelo recrutamento de grupos de hackers especializados em ransomware (sequestros cibernéticos), com o objetivo de comprometer o governo dos Estados Unidos e organizações afiliadas a Washington, com os governos da Europa Ocidental.

Duas agências governamentais russas estariam por trás do recrutamento: a FSB (Agência de Segurança Federal, da sigla em inglês) e o SVR (Serviço de Inteligência Estrangeira, da sigla em inglês). A missão atribuída aos hackers investigados pela Analist1 é desenvolver e implantar malware (programas maliciosos) personalizado voltado a empresas do setor militar.

Os ransomwares, além de comprometerem o funcionamento de uma instituição devido à perda de arquivos importantes, serve para os hackers lucrarem com o valor do resgate. É um crime que tem aumentado bastante. “Em junho de 2016, os criminosos na Rússia ganharam cerca de US$ 7,5 mil por mês conduzindo operações de ransomware. Hoje, os invasores ganham milhões de dólares com um único ataque”, afirma o relatório.

Seguidos ataques

Inúmeros ataques ocorreram no mundo nos últimos meses. No maior deles, hackers russos do grupo REvil exigiram US$ 70 milhões em bitcoin para restabelecer os dados roubados de centenas de empresas em diversos países.

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Semanas antes, no final de junho, o alvo foi a Microsoft, que teve seu sistema invadido através do suporte ao cliente. Até mesmo os dois principais partidos políticos dos EUA, o Republicano e o Democrata, foram alvos de ataques, em julho deste ano e em 2016, respectivamente.

Em maio, a Microsoft já havia relatado ataques do grupo Nobelium contra 150 agências governamentais, think tanks, consultores e organizações não-governamentais nos EUA, bem como em mais de 20 países. A Microsoft diz que o o grupo é o mesmo que realizou o sofisticado ataque hacker à empresa de softwares SolarWinds, em 2017, atingindo inclusive o governo dos Estados Unidos.

À época, a Cisa (Agência de Segurança Cibernética e Infraestrutura, da sigla em inglês) dos Estados Unidos e a Casa Branca afirmaram que os hackers eram ligados ao SVR.

Entre 2015 e 2018, ataques promovidos por seis hackers russos causaram um prejuízo de mais de US$ 10 bilhões no mundo. Além de prejudicar empresas e redes elétricas na Europa, eles também estariam envolvidos em roubo de identidade e conspiração para fraude.

Uma das campanhas teria ocorrido em 2017, quando hackers invadiram uma rede elétrica ucraniana e vazaram informações para tentar interferir nas eleições francesas, apontam as acusações.

A dinamarquesa Maersk, do setor de logística, teve toda a sua operação prejudicada após um colapso na rede causado por um malware russo. Outras empresas como a norte-americana FedEx, de transporte e remessas, e a farmacêutica alemã Merck também registraram prejuízos bilionários após invasões de sistemas digitais.

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Na linha de frente, ucranianos se preparam para possível ataque da Rússia

Fotos mostram o dia a dia de soldados ucranianos na região de Luhansk, na Ucrânia; clima é tranquilo, apesar de acreditarem que um ataque “é inevitável”

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Um soldado ucraniano em uma posição de artilheiro em uma trincheira na linha de frente, em Slov'yanoserbs'k, região de Luhansk, na Ucrânia. Esses soldados acreditam que um ataque russo é inevitável e o esperam em breve Timothy Fadek/Redux for CNN

A cerca de 500 metros de separatistas apoiados pela Rússia, um grupo de soldados ucranianos espera por uma luta que certamente está por vir.

E parece que eles estão estranhamente tranquilos com tudo isso, de acordo com o fotógrafo Timothy Fadek, que passou um tempo com esses homens, nessa sexta-feira (21), na linha de frente na região leste de Luhansk, na Ucrânia.

“Eles abraçaram a inevitabilidade”, diz Fadek. “Estava conversando com um dos soldados e ele disse: ‘É inevitável. Nós aceitamos a inevitabilidade de um ataque.’ E então houve uma pequena discussão entre dois soldados e um deles falou: ‘Os russos não atravessarão a fronteira, eles atacarão do mar’, referindo-se ao Mar de Azov. Outro soldado discordou dessas duas avaliações e argumentou que, não, ‘o ataque virá da Bielorrússia.’”

Mesmo não concordando com a origem do ataque, todos estão 100% convencidos de que ele acontecerá.

“Eles se resignaram”, continua o fotógrafo. “Mas estão extremamente relaxados. Não há uma pitada de nervosismo em seus rostos. Todos estão prontos para lutar, prontos há muitos anos. Mas eu perguntei: ‘Vocês querem esta guerra?’ E eles responderam: ‘Claro que não’”.

As tensões entre a Ucrânia e a Rússia estão em seu ponto mais alto, com um acúmulo de tropas russas perto da fronteira estimulando temores de que Moscou possa iniciar em breve uma invasão. O Kremlin negou que esteja planejando atacar, argumentando que o apoio da Otan à Ucrânia constitui uma ameaça crescente no lado ocidental da Rússia.

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“Em Muratova, uma cidade ucraniana a cerca de 20 minutos de carro das linhas de frente, as pessoas estão muito mais preocupadas do que os soldados”, revela Fadek. Mas também parecem conformadas com o seu destino.

“Quando perguntei a um fazendeiro o que ele pensa sobre a possibilidade de um ataque, ele deu de ombros.”

“Vai acontecer. E não não há nada que alguém possa fazer para impedir.”

Um olhar dentro de uma trincheira ucraniana na linha de frente

Crédito: Timothy Fadek/Redux for CNN

Uma mulher vende peixe seco na estrada que leva a Kramatorsk

Crédito: Timothy Fadek/Redux for CNN

Soldados ucranianos sentam-se na traseira de um caminhão em Slov’yanoserbs’k

Crédito: Timothy Fadek/Redux for CNN

Soldados esperam em seus postos nas linhas de frente

Crédito: Timothy Fadek/Redux for CNN

Uma usina de energia é vista na cidade ucraniana de Kramatorsk, não muito longe da linha de frente do conflito

Crédito: Timothy Fadek/Redux for CNN

Um soldado ucraniano aponta para um cachorro em uma trincheira da linha de frente. Os cães vivem nessas trincheiras com os soldados e fornecem um alerta precoce contra intrusos

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Crédito: Timothy Fadek/Redux for CNN

Um soldado ucraniano ajusta sua máscara de esqui para enfrentar o frio da região

Crédito: Timothy Fadek/Redux for CNN

Soldados ucranianos vigiam sua posição na trincheira. “Um dos soldados apontou para o horizonte e disse: ‘Vê aquele monte? Os terroristas estão atrás daquele monte'”, disse o fotógrafo Timothy Fadek. “Eles se referem aos separatistas como terroristas.”

Crédito: Timothy Fadek/Redux for CNN

Os soldados ucranianos com quem Fadek passou um tempo estavam extremamente relaxados, segundo ele. “Eles abraçaram a inevitabilidade”

Crédito: Timothy Fadek/Redux for CNN

Um soldado caminha com cães em uma trincheira da linha de frente. “Eu estive nas trincheiras muitas vezes antes no verão”, contou Fadek. “Esta é a primeira vez que foi no inverno. Como as trincheiras e a paisagem estão cobertas de neve, me lembra as trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Miséria fria

Crédito: Timothy Fadek/Redux for CNN

Um agricultor em Muratova corta madeira enquanto os membros da família a recolhem para vender a uma base militar ucraniana próxima

Crédito: Timothy Fadek/Redux for CNN

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