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INTERNACIONAL

Empresas chinesas são multadas por abuso e discriminação contra trabalhadores brasileiros

Casos envolveram alegações de assédio moral e práticas trabalhistas abusivas. Multas chegaram a meio milhão de reais

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Usina Jupiá, no Estado do Mato Grosso do Sul (Foto: Gustavo Maximo/Flickr)

Empresas chinesas foram responsabilizadas por promoverem um ambiente de trabalho hostil e prejudicial a trabalhadores brasileiros no Estado do Mato Grosso do Sul. Relatos confirmaram que os encarregados chineses, em posição de autoridade, perpetraram atos de assédio moral, gerando um clima de intimidação e humilhação no local de trabalho.

Além disso, como mostrou reportagem do portal G1, foi constatada a prática discriminatória, na qual os trabalhadores brasileiros eram alvo de tratamento diferenciado e injusto na comparação com os colegas chineses. O episódio no Brasil é compatível com alegações recorrentes de cobrança abusiva de produtividade que ocorrem em empresas da China em outras partes do mundo.

Em março, a 2ª Vara do Trabalho de Três Lagoas proferiu uma decisão condenatória contra as empresas PowerChina Brasil Construtora Ltda.Rio Paraná Energia S.A. e China Three Gorges Brasil Energia Ltda., impondo uma multa de R$ 500 mil devido aos danos causados à sociedade.

Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), a sentença reconheceu a ocorrência de assédio moral organizacional e discriminação por parte de supervisores chineses contra mais de 20 trabalhadores brasileiros, a maioria deles desempenhando a função de ajudante de obra no canteiro da Usina Hidrelétrica Engenheiro Souza Dias, popularmente conhecida como Usina Jupiá.

O MPT relata que os trabalhadores afetados, que dedicavam suas energias e esforços para o avanço da construção da Usina Jupiá, foram submetidos a situações degradantes e desrespeitosas por parte dos encarregados chineses. Esses comportamentos abusivos criaram um “ambiente de trabalho tóxico”.

Ainda de acordo com o Ministério do Trabalho, após terem conhecimento das denúncias contra a PowerChina Brasil, as empresas Rio Paraná e China Three agiram tomando diversas medidas, incluindo solicitação de providências às empresas terceirizadas e bloqueio de acesso ao canteiro de obras por parte das pessoas investigadas, aguardando a conclusão das investigações.

A Justiça trabalhista impôs à PowerChina Brasil uma série de obrigações, incluindo o afastamento imediato dos responsáveis por assédio moral e discriminação, sob pena de multa de R$ 10 mil por cada infrator mantido no emprego. Além disso, a empresa deve impedir práticas humilhantes contra os trabalhadores, sob pena de multa de R$ 10 mil por cada trabalhador prejudicado.

Conforme a decisão judicial, as três empresas rés devem realizar um diagnóstico do ambiente de trabalho, incorporando as conclusões ao programa de gerenciamento de risco e programas de saúde e segurança ocupacional. Elas também devem estabelecer um canal para denúncias, criar uma comissão para investigar casos de assédio moral e abuso de poder, promover treinamentos de conscientização e desenvolver um programa de prevenção do assédio moral. O descumprimento dessas obrigações pode resultar em multa de R$ 50 mil para cada item, além de outras intervenções necessárias.

A juíza do trabalho Vivian Letícia de Oliveira, na sentença, menciona que os trabalhadores tiveram restrições inclusive no acesso ao banheiro.

“As provas colhidas no curso da instrução processual corroboram os fatos narrados na inicial, não tendo a parte ré PowerChina promovido a urbanidade e respeito mínimos que devem permear o ambiente saudável de trabalho, tendo as testemunhas confirmado o tratamento humilhante sofrido durante a vigência contratual. Relataram, ainda, situações de restrição ao uso de banheiros, pela limitação do tempo que era cronometrado, com repreensões em frente a outros funcionários se o tempo fosse ‘longo’ aos olhos dos gestores chineses”, detalhou Vivian.

“Vai trabalhar!”

No mundo, há alegações recorrentes de empresas chinesas e subsidiárias sendo multadas por assédio e discriminação em diferentes partes.

Alguns casos envolveram alegações de assédio sexual, discriminação racial e de gênero, práticas trabalhistas abusivas e condições de trabalho precárias. As multas e penalidades aplicadas a essas empresas variaram de acordo com a gravidade das infrações e as leis dos países em questão.

No Brasil, segundo foi constatado pela reportagem de A Referência nos sistemas do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em diferentes regiões, há um caso registrado em Bagé, no Rio Grande do Sul.

De acordo com relato de um empregado que exercia a função de mecânico para uma empresa chinesa do setor de construção, cobranças excessivas dos superiores hierárquicos eram parte do expediente. Nesse sentido, ele relatou ser comum ouvir ameaças como “vai trabalhar, se tu não quiser, tem um monte aí na porta querendo emprego”.

Inerente à situação, a testemunha ouvida no processo afirmou que “os chineses agarravam pelo braço, falando vamo, vamo, vamo, pressionando a fazer o serviço, a gente trabalhando e eles apurando”.

Na reclamatória, o autor também relatou que os empregados eram constantemente ameaçados de demissão caso não desempenhassem as tarefas com mais agilidade, conforme padrões definidos pela empregadora.

Houve situação semelhante no Estado do Amazonas. O reclamante, que trabalhava para uma fabricante chinesa de eletrodomésticos, relatou que seu superior, de origem chinesa, agia de forma agressiva e desrespeitosa com os funcionários

A vítima descreveu que o chefe batia na mesa, gritando e xingando os colaboradores de “incompetentes” e “imprestáveis”.

No mundo

Em janeiro deste ano, um protesto por melhores condições de trabalho foi registrado em uma mina de cobre controlada por uma empresa da China na cidade de Bor, no leste da Sérvia.

Centenas de pessoas foram às ruas exigir dos donos da mina que respeitem as leis nacionais e aumentem os salários dos trabalhadores, sob o argumento de que estão defasados em relação à inflação. A mina é gerenciada pela Zijin Mining Group, que detém a maior parte do negócio em parceria com o governo nacional. Além disso, a cidade convive há anos com a poluição do ar proveniente das operações no local. 

Em outubro do ano passado, autoridades no Laos ordenaram a suspensão das operações de uma mina de ouro administrada pela China na província de Oudomxay, no noroeste do país. O local foi fechado para uma investigação sobre uma série de acidentes fatais envolvendo mineiros. À época, a empresa chinesa Lao Zin Long foi informada de que a mina seria permanentemente fechada caso continuasse ignorando as leis que que protegem os trabalhadores.

Os mineiros afirmam que muitos companheiros morreram ou ficaram feridos em deslizamentos de terra ou quedas de pedras. “Os números de baixas foram mantidos em segredo pelos funcionários da empresa”, disse um trabalhador sob condição de anonimato.

Em maio de 2021, a agência de alfândega e proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês) proibiu a importação de todos os produtos comercializados pela Dalian Ocean Fishing Co. (DOF), empresa de pesca de atum da China e uma das maiores do mundo. A sanção deve-se a uma série de abusos cometidos em barcos pesqueiros da companhia.

Uma reportagem publicada pelo site Mongabay revelou muitos desses abusos, que incluem violência física e psicológica, desrespeito a leis trabalhistas internacionais e até a morte de pescadores.

Além dos maus tratos a bordo, os trabalhadores, originários de diversos países, eram proibidos de deixar as embarcações, que geralmente permanecem no mar por dois anos.

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Filho de Ali Khamenei é o novo Líder Supremo do Irã

Aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei substituirá o pai, morto em ataque

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A assembleia dos Especialistas (ou dos Peritos) do Irã definiu que o novo líder supremo do país é o aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, morto em um ataque dos Estados Unidos, no final de fevereiro.

A informação de que o novo líder havia sido escolhido havia sido adiantada por um dos representantes da assembleia, Mohsen Heidari Alekasir, no início deste domingo (8). “A opção mais adequada, aprovada pela maioria da Assembleia de Especialistas, foi escolhida”. O nome, no entanto, não havia sido revelado.

Seyyed Mojtaba Khamenei é o segundo filho de Ali Khamenei e tem 56 anos. A escolha indica uma decisão da Assembleia de manter a linha já adotada pelo antecessor.

Mojtaba acumulou poder sob o comando de seu pai como uma figura sênior próxima às forças de segurança e ao vasto império de negócios que elas controlam. Ele se opôs aos reformadores que buscam se envolver com o Ocidente, que tenta restringir o programa nuclear do Irã.

Líder supremo

No cargo de líder supremo há 36 anos, Ali Khamenei estava no topo da estrutura de Poder da República Islâmica do Irã que, além do Executivo, do Parlamento e do Judiciário, conta com o Conselho dos Guardiões, formado por seis indicados do próprio Aiatolá Khamenei e seis indicados pelo Parlamento.

Outro órgão político típico da República Islâmica é a Assembleia dos Especialistas, ou dos Peritos, formada por 88 religiosos eleitos pelo voto popular. Essa assembleia é responsável por eleger o aiatolá que será o líder supremo do Irã. Apesar de o cargo ser vitalício, a Assembleia dos Especialistas pode destituí-lo.

Israel promete assassinar escolhido

Na última quarta-feira (4), o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse que o próximo líder Supremo do Irã será assassinado.

“Será um alvo inequívoco para eliminação. Não importa qual seja o nome dele ou onde ele se esconda”, disse em uma rede social.

Estima-se que a guerra de Israel e dos EUA contra o Irã já tenha custado a vida de, pelo menos, 1.332 civis, segundo autoridade iraniana. Entre as vítimas dos ataques, esteve uma escola de meninas, onde 168 crianças foram mortas, expondo os horrores que o conflito pode produzir.

* com informações da agência Reuters

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