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Crise energética chinesa põe vidas em risco e ameaça o controle inflacionário global

Na China, temor é com a queda de temperaturas. No resto do mundo, o que preocupa é o aumento dos preços nos produtos chineses

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Por Editor

crise energética já é uma realidade na China, e a política de racionamento tem deixado residências e indústrias no escuro sem aviso prévio, por períodos que variam entre algumas horas até dias inteiros. A preocupação da população aumenta conforme se aproxima o inverno, com temperaturas negativas e maior demanda por eletricidade, o que coloca desde já muitas vidas em risco. As informações são da revista Forbes.

O racionamento, imposto inclusive a grandes indústrias, levou muitos empresários a investir em geradores movidos a diesel para não paralisar totalmente a produção, fazendo a venda dos aparelhos disparar no país. Enquanto algumas empresas, entre elas a Shandong Huali Electromechanical, registraram aumento acentuado nas vendas, outras, como a Weifang Yuxing Power Company, venderam todo o estoque em setembro. A escassez de geradores pode contribuir para a falta de calefação, o que seria fatal para muitas pessoas no inverno que se aproxima.

Entenda o problema

A crise energética pode ser explicada por uma junção de fatores concomitantes. As fortes chuvas causaram inundações nas principais províncias produtoras de carvão da China, sobretudo Xanxim, de onde sai cerca de 30% de todo o carvão consumido no país. Paralelamente, aumentou a demanda global por produtos chineses, com o afrouxamento das restrições impostas pela pandemia de Covid-19.

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Também pesam as políticas de energia conflitantes do Partido Comunista Chinês (PCC), como o investimento forçado em fontes limpas. Num país extremamente dependente da geração de energia por usinas a carvão, o governo se viu forçado a suspender os limites de produção antes existentes por razões ambientais. O aumento significativo do preço do carvão e do gás natural em todo o mundo contribuem para a situação.

Adam Ni, analista do China Neican, um think thank australiano, afirma que as autoridades locais tiveram que recorrer ao racionamento porque os preços da eletricidade são controlados na China. “Com o aumento dos preços dos insumos, mas com os preços fixos do serviço de fornecimento, a geração de eletricidade se tornou menos lucrativa. E pode até se tornar um empreendimento deficitário”, disse ele.

Ni também cita a preocupação com o inverno, quando a demanda de energia aumenta sobretudo no frio nordeste chinês. E diz que o racionamento é uma estratégia do governo para reduzir a insatisfação popular. “Uma vez que o aumento dos preços da eletricidade pode levar a mais descontentamento social do que o racionamento, especialmente entre as famílias, as autoridades optaram por restringir a demanda por meio do racionamento”.

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Crise energética chinesa põe vidas em risco e ameaça o controle inflacionário global
Mina de carvão: preço do produto e questão ambiental geraram crise energética na China (Foto: Albert Hyseni/Unsplash)

Alternativas possíveis

Uma das soluções encontradas pelo PCC foi afrouxar o controle do preço da eletricidade. A principal agência de planejamento econômico do país autorizou uma variação de até 20% no valor da energia fornecida a partir do carvão, a fim de forçar uma redução de consumo com base no aumento dos custos. Essa ação, porém, não será suficiente.

A indústria é responsável por 59% de todo o consumo energético da China, com destaque para indústrias pesadas como produção de cimento e fundição de alumínio e aço. Assim, o aumento do preço da eletricidade nesses setores será repassado ao consumidor final no preço dos produtos, estabelecendo uma maior pressão inflacionária no país.

E os efeitos não serão sentidos apenas na China. Com a cadeia de consumo global habituada aos baixos preços oferecidos pela indústria chinesa, a inflação doméstica impactaria no mundo inteiro, a não ser que a crise energética seja solucionada ou ao menos amenizada.

Portanto, a solução mais nítida no momento seria afrouxar as medidas ambientais e voltar a investir o quanto for necessário em fontes poluentes, como o carvão. A situação da China mostra a países de todo o mundo que jamais se poder dar por garantida a segurança energética.

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SEGURANÇA INTERNACIONAL – Atento a China e Coreia do Norte, premiê do Japão fala em intensificar as defesas

Receoso do crescente poderio bélico dos vizinhos, Fumio Kishida falou que iria “considerar todas as opções”

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O primeiro-Ministro Fumio Kishida durante discurso em outubro (Foto: WikiCommons)

Sob a justificativa de que China e Coreia do Norte representam uma potencial ameaça à segurança nacional, o recém-empossado primeiro-ministro japonês Fumio Kishida voltou a falar, neste sábado (27), em reforçar a capacidade de defesa do país. Receoso do crescente poderio bélico dos vizinhos, ele afirmou que iria “considerar todas as opções”, segundo relatou a agência catari Al Jazeera.

A autoridade japonesa se manifestou sobre a segurança na região durante uma revista de tropas no fim de semana. De acordo com Kishida, a atmosfera, que já é tensa, estaria “mudando rapidamente”, e “a realidade é mais severa do que nunca”. Ele se referiu ao fato de que a Coreia do Norte segue com testes de mísseis balísticos enquanto aumenta sua capacidade de ataque, enquanto a China segue em busca de incremento militar e tem “atividade cada vez mais assertiva”, além de ter ampliado o arsenal nuclear.

“Vou considerar todas as opções, incluindo possuir a chamada ‘capacidade de ataque da base inimiga’, de forma a buscar o fortalecimento do poder de defesa que é necessário”, disse Kishida a cerca de 800 membros da Força de Autodefesa Terrestre.

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No cargo desde outubro, Kishida, ligado ao Partido Liberal Democrático (PLD, a direita conservadora japonesa), sustenta um discurso defensivo e alega que coisas que costumavam acontecer somente na ficção científica são a realidade de hoje.

“O ambiente de segurança em torno do Japão está mudando rapidamente, a uma velocidade sem precedentes”, disse ele, acrescentando que seu governo conduzirá discussões “calmas e realistas” que resultarão em um entendimento sobre o que é necessário para proteger a vida dos cidadãos do país.

No entanto, a perspectiva de Kishida em possuir a chamada capacidade de ataque à base inimiga levantou uma questão polêmica, com seus opositores políticos alegando que a medida estaria contrariando a constituição japonesa de renúncia à guerra.

O político mudou sua postura dovish para uma mais hawkish – termos usados na política econômica, onde o primeiro significa um conceito expansionista, e o segundo, uma doutrina contracionista. Analistas dizem que, aparentemente, Kishida estaria agindo dessa forma para agradar líderes influentes dentro de seu partido no governo e se fortalecer, entre eles o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe. Com essa postura, o premiê tem defendido o aumento da capacidade e dos gastos militares japoneses.

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Bilhões para a defesa

Para impulsionar sua visão de segurança nacional, que inclui ainda temores com a Rússia, o Gabinete de Kishida aprovou na última sexta-feira (26) um orçamento extra de defesa de 770 bilhões de ienes (cerca de US$ 6,8 bilhões). O dinheiro deverá ser utilizado para alavancar a compra de mísseis, foguetes anti-submarinos e outras armas. O pedido ainda depende de aprovação do parlamento

A cifra é um recorde para um orçamento de defesa extra e levará os gastos militares do Japão para 2021 a um nova marca histórica de mais de 6,1 trilhões de ienes (US$ 53,2 bilhões), o que representa aumento de 15% em relação a 2020.

Críticos do primeiro-ministro argumentam que o país, nação com o maior número de idosos do mundo e com uma população em declínio, deveria reservar mais dinheiro para saúde e outros serviços. Kishida bate o pé e diz que está aberto a dobrar os gastos militares para lidar com as questões de segurança.

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