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ÁFRICA – Vídeo com chefe da Al-Qaeda alimenta rumores sobre morte e sucessão

Fala curta e dados desatualizados não configuram prova de vida do chefe da Al-Qaeda, al-Zawahiri, apontam analistas

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O último vídeo veiculado pela Al-Qaeda de Ayman al-Zawahiri, chefe jihadista, em 12 de março de 2021 (Foto: Reprodução/Al-Qaeda)

O vídeo do chefe da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri, lançado no dia 12, só alimentou os rumores de que o sucessor de Osama bin Laden está de fato morto, apontou o site especializado Jihadica, na última quarta (17).

A principal figura do grupo jihadista fala apenas em quatro dos 22 minutos do vídeo, que trata do genocídio contra os muçulmanos rohingya de Mianmar. No restante do tempo, um narrador não identificado apresenta o assunto com atualizações mais recentes.

“Embora recortes de notícias sejam habituais nos vídeos da Al-Qaeda, não é normal que al-Zawahiri fique em segundo plano para outro orador”, apontou o analista Cole Bunzel.

Outros indícios apontam a fragilidade temporal do registro de Al-Zawahiri. Em dois fragmentos, o chefe jihadista se refere ao “governo democrático de Mianmar” – o que aparenta ter sido gravado antes do golpe militar de fevereiro. O episódio que levou os líderes opositores à prisão em Mianmar é referenciado apenas pelo narrador.

“As palavras de Al-Zawahiri são de fato tão gerais que poderiam ter sido registradas já em 2017. Nada em seus três minutos e 45 segundos oferece algo remotamente próximo de uma prova de vida”, escreveu Bunzel.

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Os primeiros relatos da morte do chefe da Al-Qaeda surgiram em novembro de 2020, na imprensa paquistanesa. As informações apontavam que Al-Zawahiri teria morrido de causas naturais, provavelmente no Afeganistão.

A possibilidade do chefe da Al-Qaeda estar morto imediatamente levanta a questão sobre quem será seu sucessor – um tema que já abordou muitos nomes, como o do proeminente egípcio Saif al-Adel, que pode atrair o grupo para uma união com o EI (Estado Islâmico).

Possibilidades

Ainda que a morte de Al-Zawahiri não esteja confirmada, todos os sinais apontam para esta direção. O movimento, porém, pode indicar uma tentativa da Al-Qaeda “ganhar tempo” enquanto consegue uma sucessão ou mantém a negociação com o Taleban no acordo com o governo afegão e os EUA em Doha, no Catar – ou ambos.

Outra possibilidade é que Al-Zawahiri não esteja morto, mas a Al-Qaeda quer que o mundo pense que está. “Em outras palavras, [o grupo] deliberadamente promove essa ambiguidade para algum propósito estratégico”, disse o analista.

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Entre os objetivos estaria indicar que o grupo está “enfraquecido” e, por isso, os EUA e a comunidade internacional podeeriam retirar suas tropas do Afeganistão. Essa possibilidade, para Bunzel, é a menos plausível.

Um relatório do think tank norte-americano Wilson Center aponta que o movimento jihadista é o mais fragmentado desde 11 de setembro de 2001, quando a Al-Qaeda era um polo entre diversos grupos. “Ao perder líderes, novas figuras têm surgido para assumir a bandeira. Mas a rotatividade também ameaça a estabilidade”, diz o documento.

O foco, agora, tende a ser a ampliação do alcance regional. “No início de 2021, o grupo mantinha seis ramos centrais que se estendiam do Sahel ao subcontinente indiano”.

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Entenda como a Rússia será afetada pelas novas sanções dos EUA

Pacote inclui a expulsão de dez diplomatas e proíbe transações entre instituições financeiras no mercado primário

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O presidente da Rússia, Vladimir Putin, em cerimônia no Kremlin, Moscou, maio de 2018 (Foto: Divulgação/Kremlin)

O novo pacote de sanções emitido nesta quinta (15) por Washington deve inaugurar um novo capítulo nas relações entre EUA e Rússia. As medidas ocorrem dois dias depois de uma conversa por telefone entre Joe Biden e Vladimir Putin, na qual o presidente norte-americano insistiu em “defender os interesses nacionais”.

A ordem executiva confere as primeiras medidas retaliatórias da gestão de Biden contra o Kremlin. Washington atribui a Moscou a autoria do ataque que invadiu contas e roubou informações do Departamento do Tesouro, em dezembro do ano passado.

Agentes infiltrados teriam agido por semanas através do sistema SolarWinds contra nove agências do governo. As sanções também são direcionadas à suposta autorização de Putin às operações de influência para alavancar a campanha eleitoral de Donald Trump nas eleições dos EUA de 2020. Moscou nega as acusações.

A quem as sanções afetam

As sanções anunciadas pelos EUA nesta quinta-feira afetam seis empresas que conferem apoio ao programa cibernético dos Serviços de Inteligência da Rússia. Essas organizações não receberão conhecimento, ferramentas ou infraestrutura dos EUA.

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O mesmo ocorre a outros 32 indivíduos e entidades da Rússia. Outros oito indivíduos receberam sanções por ações relacionadas à ocupação e repressão na Crimeia, península da Ucrânia ocupada pelas forças russas desde 2014. O grupo também teria tentado interferir nas eleições de 2020 e espalhar desinformação.

Dez diplomatas e representantes dos serviços de inteligência russa que atuavam nos EUA foram expulsos do país. Nas sanções, Washington atribuiu à SVR (Serviço Russo de Inteligência no Exterior), também conhecido como APT 29 e Cozy Bear, como o autor dos ataques à plataforma SolarWinds.

As agências norte-americanas já disponibilizaram um relatório com alertas de segurança sobre a invasão russa e os cuidados que empresas de software devem tomar para “não serem invadidas pelas agências da Rússia”.

O presidente eleito dos EUA, Joe Biden, em novembro de 2020 (Foto: CreativeCommons)

Impactos econômicos

Tesouro dos EUA ainda proibiu todas as instituições financeiras dos EUA de participar ou emprestar ao mercado primário de títulos denominados de rublos e não-rublos emitidos pelo Banco Central da Rússia após 14 de junho de 2021. A medida atinge o Fundo Nacional e o Ministério das Finanças do país.

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A medida deve afetar todos os setores da economia e restringir a capacidade de Moscou de emitir sua dívida soberana. A ação estende o passo dado por Washington em 2019, quando proibiu as instituições financeiras dos EUA de comprar dívida não denominada em rublos diretamente da Rússia em mercado primário.

Funcionários da Casa Branca disseram à Reuters que o mercado de dívida soberana em rublos está avaliado em US$ 185 bilhões. Do total, um quarto vem de investigadores estrangeiros. Metade deste percentual pertence a investidores
norte-americanos.

“Em uma análise histórica, a retirada desses investidores provavelmente causará um efeito inibidor que aumentará o custo dos empréstimos da Rússia“, disse o funcionário. “Isso enfraquecerá a moeda e levará a um crescimento mais lento e inflação mais alta”.

Até o fechamento desta matéria (15/04, 11h), o Kremlin não havia se pronunciado sobre as sanções.

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