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O que se sabe sobre o veto chinês à carne brasileira

Veto já dura seis semanas; Ministério da Agricultura aguarda reunião técnica com chineses

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Carne bovina está impedida de entrar na China há seis semanas Divulgação/Abiec (12.ago.2011)

O Brasil está há seis semanas sem exportar carne para a China, seu principal comprador. Em 4 de setembro, o país interrompeu voluntariamente a exportação do produto após a confirmação de casos do “mal da vaca louca” em dois frigoríficos do país. Mesmo com o controle dos casos no Brasil, a interrupção foi mantida.

Na última semana, a Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) concluiu um relatório a respeito dos dois casos de vaca louca e apontou que não há risco de proliferação da doença, segundo o professor de economia do Insper, Roberto Dumas, em entrevista à CNN. A derrubada do veto à carne, no entanto, ainda não aconteceu.

Segundo o jornal Financial Times, o veto prolongado pode custar US$ 4 bilhões por ano (equivalente a R$ 21,8 bilhões) em exportações. Ao Financial Times, um executivo de um grande frigorífico brasileiro disse estar surpreso que a suspensão tenha durado tanto.

Com isso, o governo tem visto a preocupação de autoridades e grandes frigoríficos crescer. De acordo com o Financial Times, que ouviu uma fonte do Ministério da Agricultura, o Brasil pediu uma reunião técnica, ainda não agendada, pelas autoridades chinesas. E não há previsão para esta reunião acontecer.

Entre janeiro e julho deste ano, os embarques de carne bovina do Brasil para a China alcançaram 490 mil toneladas e geraram vendas de US$ 2,5 bilhões (R$ 13,6 bilhões), um aumento de 8,6% e 13,8%, respectivamente, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Alguns analistas brasileiros ouvidos pelo Financial Times acreditam que a proibição é uma forma de a China obter vantagem comercial.

“Esse atraso na retomada pode ser uma tática de negociação que visa melhorar a precificação e ganhar poder de barganha. Parece uma coisa mais comercial, porque em termos de saúde não há o que discutir”, disse Hyberville Neto, da Scot Consultoria, que atua no setor de carnes bovinas.

Na China, importadores disseram que uma suspensão duradoura da carne brasileira teria um grande impacto, dada a escala das remessas, mas a maioria espera que o comércio reinicie em breve.

Enquanto a questão não é resolvida, confira o que se sabe sobre o veto à carne brasileira e os próximos passos para derrubá-lo:

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Por que a China vetou a carne brasileira?

O Brasil interrompeu voluntariamente a exportação de carne para a China, seu maior mercado, após a confirmação de dois casos da doença da “vaca louca” em duas fábricas no país.

Quanto tempo já dura o veto? 

interrupção começou em 4 de setembro, portanto, já dura seis semanas. Mesmo com o controle dos casos da doença da  “vaca louca” no Brasil, o veto chinês foi mantido.

O que tem sido feito?

O ministério da Agricultura encaminhou uma solicitação feia ao ministro-chefe da Administração Geral de Alfândegas da China (Gacc, na sigla em inglês) para uma reunião técnica. De acordo com a pasta, ainda sem retorno. As autoridades do gigante asiático disseram estar analisando as informações apresentadas, mas não confirmaram o encontro.

A ministra  da Agricultura, Tereza Cristina, se colocou à disposição para tratar do assunto pessoalmente.

Como fica a exportação? 

Cerca de 100 mil toneladas represadas de carne aguardam uma posição da China. A estimativa é da consultoria especializada Safras & Mercado.

“Isso está represado desde o embargo. Normalmente a carne é inspecionada e despachada na sequência para os portos e de lá segue para o país de destino. Mas, com a China descredenciando o Brasil, o fluxo foi interrompido“, diz o consultor Fernando Iglesias.

O volume da carne estocada é uma estimativa informal, já que os frigoríficos não divulgam essa informação. No entanto, a Associação Brasileira de Frigoríficos informou que o Brasil exportou mais de 100 mil toneladas de carne bovina em setembro para a China, referentes a contratos firmados antes do veto.

Mesmo que sejam de contratos anteriores à descoberta da doença, ainda não há uma confirmação de que essas cargas foram entregues ao país asiático, ou barradas para serem devolvidas.

Ao Financial Times, um gerente da Chengdu Haiyunda Trading Company, que parou de importar carne brasileira desde a suspensão, disse que a proteína brasileira ocupa até um terço de seu negócio.

A Chengdu está substituindo a carne brasileira pela de países do norte da Europa e do Cazaquistão, diz o jornal.

Como fica a produção de carne?

O Ministério da Agricultura orientou os frigoríficos brasileiros a suspenderem temporariamente a produção de carne para a China. Segundo apurou a CNN Brasil com integrantes da pasta, um ofício foi expedido pelo governo federal permitindo aos produtores o armazenamento da produção em contêineres refrigerados.

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Para evitar o acúmulo da produção, a pasta também orientou os frigoríficos brasileiros a venderem a carne bovina ao mercado interno ou a outros países importadores do produto.

Isso pode baratear o custo do produto no Brasil?

A carne tem sido uma das protagonistas da inflação dos alimentos. A carne vermelha acumulou uma inflação de 8,52% em 2021. Já nos últimos doze meses, o acúmulo foi de quase 25%.

Com a escalada do preço, o consumo de carne vermelha no Brasil é o menor em 26 anos, de acordo com dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Mas, para o consultor da Scot Consultoria, Hyberville Neto, o veto chinês à carne brasileira, que consequentemente pode aumentar a oferta do produto internamente, não deve reduzir os custos internamente no curto prazo.

Para o consultor Fernando Iglesias, os preços podem cair de 10% a 15%, caso todo o estoque acumulado chegue ao mercado interno. “Frigoríficos já começaram a relatar que parte da carne que está nas câmaras frias já foi disponibilizada no mercado interno”, diz Iglesias. O movimento impacta diretamente nos valores, e a previsão é de que os preços caiam.

“Os preços da carne no atacado estão cedendo, ainda não chegaram ao varejo, mas é questão de tempo”, diz. No varejo, os preços podem cair em até 10%. “Tradicionalmente o varejo traduz movimentos de queda de maneira mais lenta e em menor intensidade”, diz.

Já aconteceu antes?

Outros países também foram impedidos de exportarem carne à China e enfrentam vetos semelhantes ao do Brasil.

Após um caso atípico de vaca louca em 2020 na Irlanda, a China também vetou a carne deste país.

Em 29 de setembro deste ano, o país asiático também proibiu carnes de gados com menos de 30 meses oriundos do Reino Unido.

No ano passado, Pequim suspendeu as importações de uma série de fábricas de processamento de carne brasileiras devido à preocupação de que surtos de Covid-19 nas instalações apresentassem o risco de importar o vírus de volta para o país.

 

*Com reportagem de Ligia Tuon e Fabrício Julião do CNN Brasil Business, Gustavo Uribe da CNN, em Brasília, e Estadão Conteúdo

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TERÁ FESTANÇA – Carnaval sob ameaça em SP não reflete em MS

Governador diz que anunciará verba às escolas para o Carnaval 2022

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Momento em que foi sorteada a sequência de entrada do desfile da Escolas em Campo Grande para 2022. Foto: Tero Queiroz

Alan Catharinelli, presidente da Liga das Escolas de Samba de Campo Grande (Lienca), disse que não pode afirmar se a realização do Carnaval 2022 está ameaçada na Capital. O governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, porém, afirmou nesta quarta (24.nov) que anunciará a verba para o Carnaval 2022 no estado. O anúncio deve ocorrer no próximo dia 27 de novembro.

Devido ao temor de uma nova onda de casos de coronavírus no início do ano que vem, 71 municípios do interior de São Paulo decidiram cancelar o carnaval de rua em 2022, isso gerou o debate da “festa tradicional em todo o país”. Está cancelada a festa pelo segundo ano consecutivo em São Luiz do Paraitinga, famosa pelo desfile de blocos que costumam reunir milhares de turistas, e cidades médias, como Botucatu, Sorocaba, Mogi das Cruzes e Suzano.

Em outras cidades, a festa também está ameaçada. Na Capital de MS Alan disse.  “Não posso dizer sim e nem não… estamos trabalhando para que ocorra. Visto que os índices em nosso Estado diminuíram muito. E a imunização já ultrapassou 60% da população imunizada com as 2 doses. 67,54% conforme dados Sesau”, comentou.

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Para acontecer em Salvador, as autoridades já determinaram que 90% deverão estar com a vacinação completa, meta recomendada pela Fiocruz —  atualmente a taxa está em 75%. No Rio, MP e Defensoria recomendaram que os critérios sanitários sejam revistos para a realização do réveillon e do carnaval. E  nas cidades de Recife e Olinda, ambas em Pernambuco, também permanece incerto.

Em MS, o governador diz que o aumento da vacinação e a conscientização da população permite a realização da festa. “Se todos aqueles que ainda não se vacinaram, forem se vacinar com muita tranquilidade a gente vai poder voltar a uma vida normal, inclusive, podendo ter Carnaval ano que vem”, comentou o governador, durante o evento da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale).

Com o dinheiro em caixa, desde já, os produtores de eventos poderão planejar a folia com antecedência, adquirindo os materiais e serviços com os melhores preços, justificou o governador.

Em todo o estado apenas Três Lagoas anunciou que não terá Carnaval no ano que vem.

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