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Bolsonaro pede liberação de rodovias a caminhoneiros

Mensagem foi divulgada em áudio pelas lideranças do movimento

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O Ministério da Infraestrutura informa a ocorrência de manifestações de caminhoneiros em que 15 estados na manhã de hoje (9). Diante da situação, circulou, entre os caminhoneiros, um áudio com uma mensagem do presidente Jair Bolsonaro pedindo a desmobilização, de forma a evitar desabastecimento e mais inflação.

No último boletim divulgado pelo ministério, com base em informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), “às 8h do dia 9 de setembro de 2021, são registrados pontos de concentração em rodovias federais de 15 estados, com 10% de redução de ocorrência desde o último boletim da madrugada”.

Segundo a nota, os estados onde ainda há manifestações em rodovias são Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Minas Gerais, Tocantins, Rio de Janeiro, Rondônia. Maranhão, Roraima, Pernambuco e Pará.

Ainda segundo a pasta, a PRF conseguiu liberar a passagem em alguns “corredores logísticos essenciais” nesta manhã: BR-040/Minas Gerais; BR-116/Rio de Janeiro (Dutra/Barra Mansa); BR-040/Rio de Janeiro (Reduc); BR-101/Espírito Santo; BR-376/Paraná; e BR-153/Goiás (Anápolis).

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Em Brasília, a Esplanada dos Ministérios está interditada por caminhoneiros, que permanecem sentados na pista, de forma a não possibilitar a passagem de veículos. A liberação da via ainda está sendo negociada com as autoridades. Vários caminhões encontram-se estacionados na lateral e no gramado localizado próximo ao Congresso Nacional.

Ouça o Audio.

Em um áudio direcionado aos caminhoneiros, ainda não publicado de forma oficial, o presidente Bolsonaro pediu às lideranças do movimento que desbloqueiem as vias para evitar desabastecimento e aumento da inflação.

“Fala para os caminhoneiros que são nossos aliados que esses bloqueios atrapalham, nossa economia. Isso provoca desabastecimento e inflação. Prejudica todo mundo, em especial os mais pobres. Dá um toque para os caras, para liberar, para a gente seguir a normalidade. Deixa com a gente em Brasília, aqui, agora. Não é fácil negociar e conversar por aqui com outras autoridades, mas a gente vai fazer nossa parte e vamos buscar uma solução para isso, tá ok? Aproveita e em, meu nome dá um abraço em todos os caminhoneiros”, disse o presidente.

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Na noite dessa quarta-feira (8), o ministro Tarcísio Freitas confirmou a autenticidade do áudio com a voz do presidente. “Esse áudio é real e de hoje. Ele mostra a preocupação do presidente com a paralisação dos caminhoneiros, que iria agravar efeitos na economia e inflação, e ia impactar nos mais pobres e vulneráveis”.

Freitas disse que o país já vive atualmente efeito da pandemia nos preços dos produtos. Segundo ele, “a inflação tem hoje uma componente internacional, e uma paralisação vai trazer desabastecimento, prejudicando a população”. “A gente não pode tentar resolver um problema criando outro”. “Peço a todos que escutem atentamente as palavras do presidente, e que tenhamos serenidade para pavimentar um futuro melhor. A solução do problema se dará através do diálogo das autoridades. Vamos confiar nessa condução e no diálogo”, acrescentou o ministro.

Edição: Valéria Aguiar

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O que se sabe sobre o veto chinês à carne brasileira

Veto já dura seis semanas; Ministério da Agricultura aguarda reunião técnica com chineses

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Carne bovina está impedida de entrar na China há seis semanas Divulgação/Abiec (12.ago.2011)

O Brasil está há seis semanas sem exportar carne para a China, seu principal comprador. Em 4 de setembro, o país interrompeu voluntariamente a exportação do produto após a confirmação de casos do “mal da vaca louca” em dois frigoríficos do país. Mesmo com o controle dos casos no Brasil, a interrupção foi mantida.

Na última semana, a Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) concluiu um relatório a respeito dos dois casos de vaca louca e apontou que não há risco de proliferação da doença, segundo o professor de economia do Insper, Roberto Dumas, em entrevista à CNN. A derrubada do veto à carne, no entanto, ainda não aconteceu.

Segundo o jornal Financial Times, o veto prolongado pode custar US$ 4 bilhões por ano (equivalente a R$ 21,8 bilhões) em exportações. Ao Financial Times, um executivo de um grande frigorífico brasileiro disse estar surpreso que a suspensão tenha durado tanto.

Com isso, o governo tem visto a preocupação de autoridades e grandes frigoríficos crescer. De acordo com o Financial Times, que ouviu uma fonte do Ministério da Agricultura, o Brasil pediu uma reunião técnica, ainda não agendada, pelas autoridades chinesas. E não há previsão para esta reunião acontecer.

Entre janeiro e julho deste ano, os embarques de carne bovina do Brasil para a China alcançaram 490 mil toneladas e geraram vendas de US$ 2,5 bilhões (R$ 13,6 bilhões), um aumento de 8,6% e 13,8%, respectivamente, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).

Alguns analistas brasileiros ouvidos pelo Financial Times acreditam que a proibição é uma forma de a China obter vantagem comercial.

“Esse atraso na retomada pode ser uma tática de negociação que visa melhorar a precificação e ganhar poder de barganha. Parece uma coisa mais comercial, porque em termos de saúde não há o que discutir”, disse Hyberville Neto, da Scot Consultoria, que atua no setor de carnes bovinas.

Na China, importadores disseram que uma suspensão duradoura da carne brasileira teria um grande impacto, dada a escala das remessas, mas a maioria espera que o comércio reinicie em breve.

Enquanto a questão não é resolvida, confira o que se sabe sobre o veto à carne brasileira e os próximos passos para derrubá-lo:

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Por que a China vetou a carne brasileira?

O Brasil interrompeu voluntariamente a exportação de carne para a China, seu maior mercado, após a confirmação de dois casos da doença da “vaca louca” em duas fábricas no país.

Quanto tempo já dura o veto? 

interrupção começou em 4 de setembro, portanto, já dura seis semanas. Mesmo com o controle dos casos da doença da  “vaca louca” no Brasil, o veto chinês foi mantido.

O que tem sido feito?

O ministério da Agricultura encaminhou uma solicitação feia ao ministro-chefe da Administração Geral de Alfândegas da China (Gacc, na sigla em inglês) para uma reunião técnica. De acordo com a pasta, ainda sem retorno. As autoridades do gigante asiático disseram estar analisando as informações apresentadas, mas não confirmaram o encontro.

A ministra  da Agricultura, Tereza Cristina, se colocou à disposição para tratar do assunto pessoalmente.

Como fica a exportação? 

Cerca de 100 mil toneladas represadas de carne aguardam uma posição da China. A estimativa é da consultoria especializada Safras & Mercado.

“Isso está represado desde o embargo. Normalmente a carne é inspecionada e despachada na sequência para os portos e de lá segue para o país de destino. Mas, com a China descredenciando o Brasil, o fluxo foi interrompido“, diz o consultor Fernando Iglesias.

O volume da carne estocada é uma estimativa informal, já que os frigoríficos não divulgam essa informação. No entanto, a Associação Brasileira de Frigoríficos informou que o Brasil exportou mais de 100 mil toneladas de carne bovina em setembro para a China, referentes a contratos firmados antes do veto.

Mesmo que sejam de contratos anteriores à descoberta da doença, ainda não há uma confirmação de que essas cargas foram entregues ao país asiático, ou barradas para serem devolvidas.

Ao Financial Times, um gerente da Chengdu Haiyunda Trading Company, que parou de importar carne brasileira desde a suspensão, disse que a proteína brasileira ocupa até um terço de seu negócio.

A Chengdu está substituindo a carne brasileira pela de países do norte da Europa e do Cazaquistão, diz o jornal.

Como fica a produção de carne?

O Ministério da Agricultura orientou os frigoríficos brasileiros a suspenderem temporariamente a produção de carne para a China. Segundo apurou a CNN Brasil com integrantes da pasta, um ofício foi expedido pelo governo federal permitindo aos produtores o armazenamento da produção em contêineres refrigerados.

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Para evitar o acúmulo da produção, a pasta também orientou os frigoríficos brasileiros a venderem a carne bovina ao mercado interno ou a outros países importadores do produto.

Isso pode baratear o custo do produto no Brasil?

A carne tem sido uma das protagonistas da inflação dos alimentos. A carne vermelha acumulou uma inflação de 8,52% em 2021. Já nos últimos doze meses, o acúmulo foi de quase 25%.

Com a escalada do preço, o consumo de carne vermelha no Brasil é o menor em 26 anos, de acordo com dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Mas, para o consultor da Scot Consultoria, Hyberville Neto, o veto chinês à carne brasileira, que consequentemente pode aumentar a oferta do produto internamente, não deve reduzir os custos internamente no curto prazo.

Para o consultor Fernando Iglesias, os preços podem cair de 10% a 15%, caso todo o estoque acumulado chegue ao mercado interno. “Frigoríficos já começaram a relatar que parte da carne que está nas câmaras frias já foi disponibilizada no mercado interno”, diz Iglesias. O movimento impacta diretamente nos valores, e a previsão é de que os preços caiam.

“Os preços da carne no atacado estão cedendo, ainda não chegaram ao varejo, mas é questão de tempo”, diz. No varejo, os preços podem cair em até 10%. “Tradicionalmente o varejo traduz movimentos de queda de maneira mais lenta e em menor intensidade”, diz.

Já aconteceu antes?

Outros países também foram impedidos de exportarem carne à China e enfrentam vetos semelhantes ao do Brasil.

Após um caso atípico de vaca louca em 2020 na Irlanda, a China também vetou a carne deste país.

Em 29 de setembro deste ano, o país asiático também proibiu carnes de gados com menos de 30 meses oriundos do Reino Unido.

No ano passado, Pequim suspendeu as importações de uma série de fábricas de processamento de carne brasileiras devido à preocupação de que surtos de Covid-19 nas instalações apresentassem o risco de importar o vírus de volta para o país.

 

*Com reportagem de Ligia Tuon e Fabrício Julião do CNN Brasil Business, Gustavo Uribe da CNN, em Brasília, e Estadão Conteúdo

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