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Amazônia: descoberta fóssil ajuda ciência a evitar extinção de espécie

A descoberta é apenas a primeira parte de trabalhos como o desenvolvido pelo Departamento de Zoologia da UFMG, que levou quase 20 anos para ser concluído

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Pesquisadores do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) descobriram uma nova espécie fóssil de um peixe-boi extinto, que vivia há cerca de 40 mil ou 45 mil anos no Rio Madeira, localizado na Região Amazônica. Estudos como esse são relevantes para que a ciência entenda os fatores que resultaram, ao longo da história, na extinção de espécimes. “E ao gerar esse tipo de conhecimento, entender os fatores que são decisivos para conservar o que hoje existe, em termos de vida, no planeta”, disse à Agência Brasil o pesquisador Mario Cozzuol – um dos três autores do estudo.

Para o paleontólogo, encontrar coisas novas é tarefa relativamente frequente. “Todos os três autores do estudo [Fernando Perini e Ednair Nascimento, além de Cozzuol] já passamos por essa sensação, que é a de descobrimento de algo interessante. É bem aquele clima do ‘eureca’ que vemos em filmes na televisão. É muito bom ter em mãos o resto de uma espécie que ninguém conheceu, viu ou descobriu. É a sensação de ter uma novidade, e querer contá-la ao mundo”, acrescentou.

A descoberta, no entanto, é apenas a primeira parte de trabalhos como o desenvolvido pelo Departamento de Zoologia da UFMG, que levou quase 20 anos para ser concluído.

O “eureca” gritado pelo professor ocorreu logo no primeiro ano das análises, em meio às comparações feitas com outros fósseis. “Foi ali que percebemos que tínhamos, em mãos, uma novidade que merecia ser descrita e publicada”, disse ele. A publicação do estudo só aconteceu este ano, no Journal of Vertebrate Paleontology, da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados dos Estados Unidos.

Trichechus hesperamazonicus

O nome científico dado à espécie descoberta é Trichechus hesperamazonicus – ou peixe-boi do oeste da Amazônia, que vivia no Rio Madeira há cerca de 45 mil anos, em uma época que o regime da água era diferente do atual. As chuvas eram concentradas em poucos meses do ano. Hoje, na Amazônia, a chuva perdura ao longo do ano todo.

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“Foi ainda nas épocas das glaciações, quando as geleiras avançaram. A grande quantidade de água retida nos gelos diminuiu a quantidade de água circulando em rios e oceanos, tornando-os menores. Os geólogos chamam esse período de pleniglacial médio, que ocorreu entre dois momentos de máxima glaciação. Pode-se dizer que era um período quente e úmido para a época”, explica o cientista.

Nesse contexto, a maior parte da água descongelada era concentrada em lagos, em vez de rios. “Esses lagos desapareceram, dando lugar a rios de águas mais caudalosas. Com isso, o animal não tinha mais o mesmo tipo de ambiente para viver. A situação mudou, e ele foi extinto por não ter se adaptado à mudança ambiental, ficando o atual peixe-boi amazônico como o único remanescente do grupo”, acrescenta Cozzuol. Segundo ele, até então existiam espécies fósseis da família Trichechidae. O que não existia eram as do gênero Trichechus.

A pesquisa

Os três fósseis analisados pelos pesquisadores foram obtidos por garimpeiro que remexiam o fundo do Rio Madeira, na busca por ouro. As peças foram doadas para a Universidade Federal de Rondônia e para o Museu Estadual de Rondônia.

Foi por volta do ano 2000 que os pesquisadores identificaram, além das semelhanças, diferenças na comparação com outros espécimes de peixe-boi (entre fósseis e remanescentes), o que, do ponto de vista científico, é ainda mais interessante.

“Pelas semelhanças vimos que o animal pertence aos grupo dos peixes-bois. E entre as diferenças, detalhes como posição e tamanho dos dentes; e os espaços entre os dentes e a parte superior da mandíbula”. “Foi ali que vimos, pela primeira vez, relevância em descrever e comparar o encontrado”, disse o pesquisador, empolgado com as novas pesquisas que deverão ser implementadas a partir de seu estudo.

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“Todo bom trabalho de pesquisa termina mais com perguntas do que com respostas. Adicionamos uma espécie a mais no grupo. O desafio agora é entender melhor como a evolução de todo o grupo aconteceu. As perguntas serão pontas para que se faça mais pesquisas, para saber quantas espécies existem ou existiram; onde existiram; qual processo levou à diversificação; porque desapareceram algumas e apareceram outras espécies”, acrescentou.

Sobrevivência da diversidade

Cozzuol explica que o processo de evolução na Amazônia é muito mais complexo do que se imagina. “O que temos hoje, de grande diversidade, é apenas a parte remanescente de algo muito maior que existia antes. Essas informações são extremamente importantes para sabermos o que fazer para conservar o que temos”.

Ele acrescenta que mudanças climáticas bruscas, como ocorre atualmente com o aquecimento global, podem resultar na extinção de espécies incapazes de se adaptar ao novo cenário. “Ao estudar as espécies, tanto extintas como remanescentes, a ciência aponta o que deve ser feito para a manutenção da vida, já que animais e plantas estão integrados no mesmo sistema que estamos. Vivemos em um aquário gigante, onde não há recursos ilimitados”, argumentou.

“A extinção faz parte da natureza. Isso é parte do processo natural. O que vemos é que a possibilidade de extinção é ainda maior quando as mudanças ambientais são rápidas. Saber disso é importante porque é o que está acontecendo no caso do aquecimento global. Mudanças desse tipo já aconteceram no passado, só que numa velocidade muito menor. O problema é que, quanto mais rápida é a mudança, menor é o tempo para os organismos se adaptarem. Portanto, maior é o risco de adaptação. E isso é preocupante”, complementou.

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Fóssil de dinossauro é encontrado no interior de SP

Peça pode ser de espécie que habitou a região há 65 milhões de anos

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Um fóssil, aparentemente de um Titanossauro, foi localizado a poucos centímetros da lateral de um talude, em uma obra rodoviária em Marília, no interior de São Paulo. Ele foi identificado na fase final do corte de material – que ficou interrompido por dois meses até a extração completa do exemplar de um osso de pata, de um metro, concluída semana passada.

A rotina das equipes foi completamente alterada para preservar um tesouro sepultado há milhões de anos, encontrado a uma profundidade de 10 metros da superfície nas obras de duplicação da SP-333 – Rodovia Dona Leonor Mendes de Barros, na divisa entre Marília e Júlio Mesquita, a 400 quilômetros de São Paulo.

Fóssil de dinossauro é encontrado no interior de SP
Fóssil de dinossauro é encontrado no interior de SP – Divulgação/ Entrevias/ Direitos Reservados

No momento da identificação, conforme previsto no Programa de Monitoramento e Acompanhamento Paleontológico, técnicos de engenharia e de meio ambiente da Entrevias Concessionária de Rodovias, responsável pela obra e concessão do trecho rodoviário, optaram pela suspensão imediata dos serviços no local, na etapa final do cronograma de duplicação da rodovia.

“Sabemos da importância deste material para a história e a ciência. Nossas equipes são treinadas para a observação e acionamento do corpo técnico sempre que identificada a presença de material fora dos padrões nas escavações ou na terraplanagem. Esta descoberta é motivo de comemoração para todos que estiveram envolvidos neste projeto de ampliação da ligação Marília-Júlio Mesquita”, afirma o gerente de Engenharia da Entrevias, Fábio Milano.

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A Agência de Transporte do Estado de São Paulo (ARTESP), que regula a malha viária concedida no estado, diz que se compromete com a preservação de todo o material histórico e artístico que possa ser encontrado nos 11.2 mil quilômetros de rodovias paulistas em concessão. Assim, estipula em todo contrato que a concessionária observe a legislação ambiental e de preservação de patrimônios artísticos e arqueológicos e obtenha todas as licenças prévias, seja qual for a interferência a ser feita no entorno.

“Desta forma, durante as obras de melhorias nas vias, se forem encontradas peças que são, na verdade, tesouros da humanidade, sabemos que a obra será suspensa e que o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT) – nos caso de peças artísticas – e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) – quando são peças arqueológicas – serão comunicados e os achados terão o destino adequado”, explicou o superintendente da gerência de Meio Ambiente da Agência, Pedro Umberto Romanini.

Operação meticulosa

O desafio de extrair o fóssil intacto foi assumido por paleontólogos da empresa A Lasca e do Museu de Paleontologia de Marília. Iniciada com martelo e talhadeira, a operação meticulosa de retirada da formação rochosa no entorno do fragmento evoluiu para uma ferramenta de perfuração de impacto mínimo, para evitar qualquer trinca que prejudicasse a peça. Envolvido em uma dura camada de arenito – rocha formada por areia aglutinada e cimento natural, densa como quartzo -, o fóssil custou o trabalho de quase dois meses dos profissionais.

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O exemplar, ainda na forma bruta, será encaminhado para o Museu de Paleontologia de Marília, onde será limpo. Em uma análise preliminar, acredita-se tratar-se do fêmur de um dinossauro do período cretáceo, conhecido como período final da “era dos dinossauros”, ocorrida há pelo menos 65 milhões de anos.

“Acreditamos tratar-se da pata de um titanossauro. Após o salvamento e retirada da matéria do entorno teremos mais condições de estudá-lo detalhadamente”, afirma o geólogo Nilson Benuci, que conduziu as escavações para extração do fóssil.

Em 2009, na mesma região, no km 303, paleontólogos encontraram 70% do esqueleto de um titanossauro. Os fragmentos, mais de 50 peças, encontram-se na Universidade de Brasília (UnB).

“Marília, e outras cidades da região, é muito rica neste tipo de fóssil, os titanossauros”, completou o coordenador do Museu de Paleontologia de Marília, o paleontólogo William Nava. Ele informou ainda, que a peça chegou nesta terça-feira (27) no museu e que logo após a reinauguração do local, que encontra-se em reforma, a peça será exposta para os visitantes.

Duplicação da rodovia

A Entrevias executa um extenso cronograma de obras de duplicação e modernização da rodovia SP-333, entre Borborema e Florínea. A empresa avança para a reta final da duplicação de 19 quilômetros entre Marília e Júlio Mesquita e outros 64 quilômetros de rodovia estão em ampliação entre Marília, Echaporã e Assis. As obras fazem parte do Programa de Concessões de Rodovias do Estado de São Paulo.

Edição: Aline Leal

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