ECONOMIA

Com falta de oferta de animais, arroba do boi aumenta 63% e chega a R$ 250

Impacto afeta o consumidor e quilo da carne bovina aumenta mais de 43%

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Estiagem e altos custos impactaram em menor oferta de animais - Álvaro Rezende/Correio do Estado

A estiagem e a oferta restrita de gado no mercado fizeram o preço da arroba do boi subir 63% em um ano.

Em outubro do ano passado a arroba do boi custava R$ 153,97, enquanto neste ano a média supera os R$ 250. Com o aumento no preço pago ao produtor, toda a cadeia sofre o impacto. Para o consumidor, já impacta em alta de 43% nos cortes de primeira.

Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) apontam que a carne bovina subiu 43% em um ano.

Em setembro de 2019, a média de preços dos cortes bovinos como patinho, coxão duro e coxão mole era de R$ 19,98 o quilo. No mês passado, os mesmos cortes custavam R$ 28,62, em média – 43,24% a mais.

De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), a oferta de animais segue restrita.

Além do boi gordo (que valorizou 63%), a arroba da vaca aumentou 65%. Em 2019 o preço média da arroba em outubro era de R$ 144 e em 2020 foi a R$ 237,50 .

“[A valorização] é em decorrência de dois principais motivos. Primeiro, por ainda estarmos no período de estiagem, quando a oferta, natural e historicamente, é menor. Segundo, devido à retenção de matrizes, ou seja, os produtores de cria estão destinando um volume menor de fêmeas ao abate esse ano. Todos os anos a estiagem influencia a dinâmica dos preços. Vale destacar que em 2020 a seca está relativamente mais severa”, explicou o gerente técnico do Sistema Famasul, José Pádua.

Aumento dos custos

O presidente do Sindicato Rural de Campo Grande, Rochedo e Corguinho (SRCG), Alessandro Coelho, destaca que, além da estiagem, os custos para a criação e engorda estão muito altos.

“Primeiramente o preço da arroba do boi vinha muito defasado nos últimos cinco anos. Muitas pessoas acabaram abandonando a pecuária. A atividade em Mato Grosso do Sul encolheu, os pecuaristas vinham se mantendo com muita dificuldade. Ao longo desse tempo houve aumento do abate de fêmeas, que acabou gerando reflexos no médio prazo. Hoje já sentimos isso: menor disponibilidade de boi no campo. Os preços das commodities estão muito caros para dar terminação a esse gado que se encontra em disponibilidade de confinamento. A conta está muito difícil de fechar, porque a soja e o milho atingiram índices recordes de preços e são produtos fundamentais para o acabamento do gado bovino”, contextualizou.

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Coelho ainda destaca que a estiagem foi severa, atrasando o gado criado a pasto, e os altos custos atrasaram também a recria.

“O gado de pasto vem atrasado, atrasando toda a recria. A criação daqueles que criam de forma intensiva está prejudicada com os altos custos do milho e da soja. O sal mineral já vem sofrendo alterações, o dólar muito alto vem corrigindo toda a parte de mineralização do gado, adubo, medicamentos, então a pecuária vem sofrendo várias situações”, reforçou.

O relatório de movimentação de bovinos da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) aponta que Mato Grosso do Sul produziu 2,8 milhões de cabeças para abate entre janeiro e setembro de 2020.

O número representou queda de 8,5% em relação ao mesmo período de 2019 – quando foram registrados 3,2 milhões de animais.

Consumidor

Conforme relatório do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), as indústrias inscritas no Serviço de Inspeção Federal (SIF) abateram 2,3 milhões de bovinos em Mato Grosso do Sul entre janeiro e setembro de 2020. Esse total foi 13,2% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando foram abatidos 2,7 milhões.

O reflexo da menor disponibilidade já chega ao bolso do consumidor. Conforme a pesquisa do Dieese, uma pessoa consome 6,6 kg de carne bovina por mês, o que em 2019 significava gasto de R$ 131,87. Já em 2020, para adquirir os mesmos 6,6 kg de carne, o gasto chega a R$ 188,89.

“O atacado e o varejo já estão repassando os aumentos dos cortes cárneos aos consumidores”, reforça o gerente técnico da Famasul.

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Segundo o presidente do sindicato rural, a oferta de gado continua e vai continuar reduzida em razão dos altos custos.

“O consumidor não tem como escapar, apesar de os açougues e os mercados terem reduzido suas marges, absorvendo parte desse aumento de custos. Mas não tem como, esse repasse chega na ponta do consumo, e o consumidor vai ter uma despesa um pouco maior para adquirir essa carne disponível”, disse Coelho.

Oferta deve ser regularizada somente em 2021

Com a regularização das chuvas, a oferta de gado no mercado deve ficar para o ano que vem. De acordo com José de Pádua, no mês que vem há a regularização das chuvas e a pastagem volta a se normalizar.

“Podemos esperar a recuperação de pastagem em quantidade e qualidade aos animais. Contudo, haverá uma oferta mais intensa de animais a pasto a partir de fevereiro de 2021”, conclui.

Para o presidente do SRCG, os preços podem cair, mas não voltarão ao mesmo patamar do começo de 2020.

“Com o retorno das chuvas, a gente espera que regularize esse rebanho e na hora que entrar esse gado de pasto, por volta de fevereiro, já comece a estabilizar. E o preço não tende a continuar subindo, mas não volta ao patamar do início desse ano – tendo em vista que não tem hoje como se fazer um acabamento de qualidade com o preço da soja e do milho, que também não tendem a cair na próxima safra. Isso reflete na cadeia do leite, das aves, dos suínos”, explica o titular do SRCG, que ainda ressalta que é preciso que novos alimentos sejam utilizados no confinamento.

“A gente espera que muito em breve surjam novos ingredientes, para que venha a compensar e baratear um pouco o custo de terminação. No momento, essa tendência de alta continua; falta gado, e a gente espera que até o fim do ano isso comece a normalizar com a entrada do gado de pasto”, finaliza Coelho.

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ECONOMIA

Dólar cai e bolsa reduz perdas após discurso do ministro da Economia

Apesar de alívio, Ibovespa teve pior semana desde início da pandemia

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Depois de enfrentar turbulências na maior parte da sessão, o mercado financeiro acalmou-se após o discurso conjunto do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente Jair Bolsonaro. O dólar reverteu a alta e passou a cair, e a bolsa de valores reduziu as perdas. Mesmo assim, a moeda norte-americana teve a pior semana desde julho, e a bolsa registrou a pior semana desde o início da pandemia de covid-19.

O dólar comercial encerrou a sexta-feira (22) vendido a R$ 5,627, com recuo de R$ 0,04 (-0,71%). No pico da sessão, por volta das 12h30, a cotação chegou a R$ 5,75. O movimento só se inverteu no meio da tarde, após o ministro Paulo Guedes garantir que não pediu demissão e dizer que os gastos públicos deverão cair de 19,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para 18,5%, mesmo com o Auxílio Brasil de R$ 400.

Mesmo com a queda de hoje, a moeda norte-americana encerrou a semana com alta de 3,16%. Essa foi a maior valorização semanal desde a semana terminada em 8 de julho, quando a divisa tinha subido 4%. Em 2021, o dólar acumula alta de 8,44%.

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O mercado de ações também se acalmou após a fala de Guedes, mas o alívio foi insuficiente para reverter as perdas. O índice Ibovespa, da B3, fechou o dia aos 106.296, com queda de 1,34%. No pior momento do dia, às 12h25, o indicador chegou a cair 4,5%.

Em baixa pelo segundo dia consecutivo, a bolsa fechou a semana com queda de 7,28%. Essa foi a maior perda semanal desde a semana encerrada em 18 de março de 2020, no início da pandemia de covid-19. Na ocasião, o Ibovespa tinha perdido 18,88% em cinco dias.

Nos últimos dias, o mercado financeiro tem enfrentado momentos de tensão com a confirmação de que o governo pretende financiar parte do benefício de R$ 400 do Auxílio Brasil com despesas fora do teto de gastos. A proposta de emenda à Constituição (PEC) que adia o pagamento de precatórios, aprovada ontem (21) na comissão especial da Câmara dos Deputados, abre espaço de R$ 84 bilhões fora do teto para serem gastos no próximo ano. Há o temor de que a conta fique ainda maior caso o Congresso amplie o benefício para R$ 500.

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*Com informações da Reuters

Edição: Valéria Aguiar

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