CIDADES

Voluntária da CoronaVac conta tudo sobre experiência com vacina para a Covid-19

Enfermeira do HU foi primeira voluntária a se imunizar contra a doença no estado

Publicados

em

A enfermeira voluntária trabalha na linha de frente, na UTI COVID do Hospital Universitário - Foto: Álvaro Rezende

Um dos maiores desejos de ano novo, desta vez, foi a descoberta de uma vacina eficaz contra a Covid-19, mas enquanto o imunizante não é aprovado no Brasil as fases de teste continuam e, com elas, os profissionais da área da Saúde que se voluntariaram.

Formada há 14 anos, Andrea Salles, de 47 anos, é uma das enfermeiras que se mostraram dispostas a ajudar e, com certeza, não se arrependeram.

Ela foi infectada pelo novo Coronavírus em agosto do ano passado, mesmo período em que as duas filhas também ficaram doentes.

Três meses depois, em novembro, foi a primeira voluntária da CoronaVac a ser vacinada; o imunizante chinês da Sinovac Biotech é produzido em parceria com o Instituto Butantan no Brasil.

A profissional, que já trabalhou como auxiliar, técnica de enfermagem e instrumentadora cirúrgica, hoje atua na linha de frente da pandemia, na unidade de terapia intensiva (UTI) Covid, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-MS).

Em casa, assim como ela, toda a família também faz parte da área da Saúde. O esposo, de 51 anos, é enfermeiro no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, a filha mais velha, de 33 anos, é farmacêutica, e a mais nova, de 23, é estudante de medicina.

Até o genro entrou para a conta, já que atua numa unidade básica de saúde da Prefeitura.

Agora, quase dois meses após o período de vacinação, a enfermeira recebeu novamente o Correio do Estado e falou da sua experiência:

Depois que você tomou a vacina sentiu algum efeito colateral, como febre, dor de cabeça, resfriado ou algo assim?

Na verdade, eu não senti nada da vacina, eu perguntei o mesmo pra vários colegas e até brinquei falando que eu devia ter tomado o placebo porque eu só sentia a dor da agulhada. Ainda não quebraram a chave, então não sei se eu tomei a vacina ou o placebo mesmo.

Depois da vacinação, nós recebemos um diário, uma tabela pra medir a circunferência da incisão da vacina, da vermelhidão, se ia ter tumefação, que é aquele inchaço, mas eu não tive febre, nem dor. Eu continuei malhando, não tive diarreia e nem vomito. Na segunda dose também não, que foi 14 dias depois. Aí eu tive um retorno, após 21 dias, para a coleta de exames e deu tudo normal.

Como se sente tendo cooperado com uma iniciativa que pode ajudar milhões de vidas, não só aqui, mas mundo a fora?

É muito gratificante, uma sensação de heroísmo mesmo, tanto a gente trabalhando quanto participando. Nossa… quando eu fiquei sabendo eu fiz questão de vacinar, várias pessoas falaram “Mas você vai participar? Você não tem medo?” e eu sempre falei que não, que eu tenho medo é de pegar a doença da forma selvagem. Eu, como faço parte da área da Saúde, sempre levei minhas filhas pra vacinar, sempre me vacinei, a gente sabe da importância disso.

A gente sabe que tem o PNI (Programa Nacional de Imunização), que é um dos principais programas do governo. Eu sou super em defesa do SUS, eu penso que é um dos melhores convênios que existe. E acho que em algum momento vão até começar a cobrar porque a gente atende, lá no HU, de graça. Tem pessoas que tem Unimed, mas vão parar lá.

Leia Também:  Instituições e ambientalistas elogiam medidas do governo para transformar MS em estado carbono neutro

Também sempre tem alguém que acha que nunca utilizou o SUS. Você nunca foi almoçar num restaurante? Quem fiscaliza o restaurante? É a vigilância sanitária, que é da onde? Do SUS. Então as pessoas precisam entender melhor a Saúde.

Qual sua opinião sobre a notícia que saiu dos 78% de eficácia da CoronaVac? Hoje você considera outra vacina melhor?

Eu já imaginava que seria acima de 50%, como eu disse, é algo muito rigoroso. Para você chegar até a fase de aprovação é muito rigor. No caso da CoronaVac, foram profissionais da Anvisa até a China para conhecer a fábrica e entender os processos. E, agora, com esse resultado, eu fiquei muito feliz, acho que é tudo que todo brasileiro quer, é o sonho de 2021!

Tá todo mundo cansado de usar máscara, cansado de ficar em casa, mas infelizmente o vírus não ta cansado.

Sobre as vacinas, eu acredito que cada país tem sua autarquia, depois que foram autorizadas pelas vigilâncias, qualquer vacina estará adequada para uso. Porque assim, é uma doença nova, um vírus novo, não conhecemos nada nada.

Já foram feitos vários estudos e eu acredito que essa vacina vai ser mais ou menos como a da H1N1, ela vai ter que ser adaptada conforme a variante em circulação, e cada vez mais a gente vai tendo mais conhecimento, até chegar na fase que já ta a H1N1, mais tranquila.

O assunto “Coronavírus” levanta muita discussão, e existem muitos ataques, pessoas que descredibilizam a ciência e as orientações. Como você se sente, como profissional da Saúde que acompanha os acontecimentos, ouvindo esses comentários?

Eu até comentei isso com meu irmão esses dias, eu falei assim: se eu não estivesse ali, na linha de frente, e não estivesse vendo 2/3 pessoas morrendo, eu até poderia não acreditar, mas como eu estou vendo a gravidade, sei que saúde não é brincadeira.

Para você fazer uma artigo, um estudo, nossa… você precisa de tanto conhecimento, exige qualificação técnica, e para se chegar numa vacina então, é como se ela fosse uma medicação de auto vigilância, é muito rigor até chegar na fase de humanos. É um estudo randomizado, duplo cego, feito com cuidado.

Me conta sobre sua rotina no Hospital

Nós costumamos dizer que se fosse pra colocar num papel tudo que a gente faz, nós não conseguiríamos descrever, de tantas coisas. É automático, é uma rotina muito exaustiva, mas muito gratificante, porque quando você vê um paciente grave chegar numa UTI, a gente pensa “será que vai sair? O quadro está estável demais”, e ai de repente vê aquela melhora progressiva. Quando isso acontece você vê que ali está seu diferencial, a profissão, o resultado é satisfatório.

Os pacientes Covid são muito graves, se se as pessoas imaginassem o quanto é cansativo, o quanto a gente está trabalhando e como é difícil, eles obedeceriam ao protocolo, iam ver o verdadeiro valor da ciência, nada é feito a toa, tudo é baseado em pesquisa. Isso não é um problema nível Brasil, é mundial. As Olimpíadas foram canceladas, a Disney foi fechada, são eventos que geram milhões, e não foi a toa, é uma pandemia.

Leia Também:  Redução do ICMS da Energia Elétrica deve impactar arrecadação em R$ 3,67 milhões

O que eu vejo é que hoje tem muita fake news, pessoas que deveriam estar dando exemplo, que são donos da palavra, e você vê eles jogarem a culpa no jornalismo, que só mostra os acontecimentos reais. Eu tenho, na minha família, pessoas que são de partido X e partido Y, e você nota a diferença de opiniões, as pessoas estão muito confusas.

Num pronunciamento, do dia 17 de dezembro de 2020, o presidente Jair Bolsonaro comentou sobre a eficácia das vacinas, dizendo que ele mesmo irá se imunizar. Depois disso citou a falta de responsabilidade dos laboratórios com os possíveis efeitos das vacinas, dizendo que “Se você virar um jacaré, o problema é de você”. Isso te assustou?

Eu fico super chateada, eu acho lamentável uma figura como o presidente da república de um país como o Brasil, que deveria estar apoiando as pesquisas, a ciência e a tecnologia, soltar essas falas inapropriadas que ele vem soltando no dia a dia. Ele deveria se atualizar, eu nem sei porque ele faz isso, mas é uma falta de respeito com milhões de pessoas que estão na linha de frente, com a população brasileira e mundial, com quem perdeu entes queridos.

E assim, eu nunca vou pelo lado empírico, como ele falou do uso da ivermectina e da hidroxicloroquina, eu vou pelas pesquisas. Como eu te falei, é uma doença nova, tem muito a ser aprendido. A gente não sabe da duração da imunidade, se fala de 2 a 3 meses, que é uma imunidade curta, e ainda se fala de reinfecção.

Eu falo até que ele é um hipócrita porque ele vai vacinar. Senão não vai pisar nos Estados Unidos, na Alemanha, ou na Itália. Como um presidente vai administrar um país sem viagens? Ano que vem ele tá aí, ele vai se recandidatar, e como vai fazer campanha?

Então, por enquanto, sem medo de virar um jacaré?

Não (risos), não tive medo. Eu não sei se tomei a vacina mesmo, mas se eu não tomei, minha dose ta garantida. Se eles abrirem o código e eu tiver tomado placebo, eu tenho minha vacina garantida, e é lógico que eu vou tomar a CoronaVac que ta lá, que eu já faço parte da pesquisa. Vou ser a primeira a vacinar, de novo!

Agora que você já está vacinada, está mais flexível quanto aos cuidados básicos? Como enxerga o uso da máscara?

Continuo com o mesmo padrão porque, por ser da Saúde, a gente pega o vício de lavar as mãos e passar álcool toda hora. Eu estou seguindo os protocolos de distanciamento e de uso de máscara. Geralmente os únicos lugares que eu vou são o mercado e a academia, mas sempre carrego meu álcool, e obedeço rigorosamente o uso de máscara e distanciamento.

Não é porque eu vacinei que vou descuidar. Não é porque chegou a vacina que “Ah já posso aglomerar de novo”, e isso serve até pra gente tomar um pouco mais de cuidado no nosso dia a dia. Agora é a Covid-19 que está em alta, mas existem mais de 200 tipos de doenças virais e nenhuma tem cura.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

CIDADES

Estudantes experimentam álcool cada vez mais cedo em MS, mostra pesquisa

Consumo também é maior entre estudantes de escolas públicas

Publicados

em

Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2019, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que estudantes estão experimentando álcool cada vez mais cedo.

Conforme os dados, cerca de 63,3% dos estudantes de escolas públicas e particulares entre 13 e 17 anos já experimentaram bebida alcoólica e mais de um terço deles (34,6%) provou pelo menos uma dose antes de completar 14 anos.

Ainda segundo os dados, as meninas são mais expostas a essa iniciação precoce: 36,8%, contra 32,3% entre os meninos.

Os dados se referem à realidade dos jovens antes da pandemia de Covid-19, cujas medidas de isolamento social e distanciamento físico do ambiente escolar podem ter agravado a situação.

Entre os estudantes que experimentaram bebidas alcoólicas, 47% disseram ter tido episódios de embriaguez.

Esse percentual foi maior entre os estudantes de escolas da rede pública (47,6%) do que entre os da rede privada (43,4%).

Cerca de 15,7% relataram a ocorrência de problemas em consequência de terem bebido, entre eles estão o conflito com a família ou amigos, a perda de aulas ou brigas.
Entre os adolescentes de 13 a 17 anos, 9,7% relataram ter consumido quatro doses ou mais em um mesmo dia. Nesse indicador, o Sul (12%) e o Centro-Oeste (11,1%) ficaram acima da média nacional. Já Norte (7,0%) e Nordeste (7,8%) apresentaram os menores percentuais.

Leia Também:  Redução do ICMS da Energia Elétrica deve impactar arrecadação em R$ 3,67 milhões

Cerca de 6,9% dos estudantes dessa faixa etária disseram ter bebido cinco doses ou mais em um dia.

Entre as questões levantadas também estava o uso de bebidas alcoólicas pelos pais dos adolescentes. Mais da metade dos escolares de 13 a 17 anos (58,9%) respondeu que o pai, a mãe ou ambos consumiam esse tipo de produto, sendo os percentuais maiores no Sul (62,4%), no Centro-Oeste (61,9%) e no Sudeste (61,5%).

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

SELVÍRIA

ACONTECEU

MATO GROSSO DO SUL

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA