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Pequenas indústrias brasileiras têm desempenho e faturamento positivo no 3º tri

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que a satisfação com o lucro operacional e as iniciativas para facilitar o acesso ao crédito estão relacionados ao cenário positivo no terceiro trimestre

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Perspectivas da pequena indústria são favoráveis Mariangela Ctr

O terceiro trimestre de 2021 foi positivo para os pequenos empresários industriais, de acordo com o panorama divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (8).

O Índice de Desempenho do setor, que leva em consideração as indústrias extrativa, de transformação e construção, alcançou a média de 48,3 pontos. O resultado é 1,8 ponto superior ao registrado no segundo trimestre deste ano e 5 pontos acima da média histórica, que teve início em 2012.

Os indicadores da pesquisa variam de 0 a 100 e, quanto mais alto o valor, maior a evolução. Em relação à condição financeira da pequena indústria, o faturamento não se alterou tanto em relação ao segundo trimestre, ficando em 42,6 pontos, uma alta de 0,3. Quando a comparação é feita com o mesmo período de 2020, há um aumento de 0,7 pontos no rendimento.

De acordo com os pesquisadores, a melhora financeira está ligada à satisfação com o lucro operacional e com as iniciativas para facilitar o acesso ao crédito.

“O acesso ao crédito é relevante, principalmente em um contexto de reestruturação das empresas, que vêm reagindo a um período atípico da pandemia. O governo federal vem implementando medidas que contribuem para a melhora. Um exemplo é o Programa Nacional de Apoio às Microempresas de Pequeno Porte (Pronampe), aprovado permanentemente em junho” afirmam no estudo.

Principais problemas para os pequenos empresários da área

A falta ou o alto custo de matéria-prima são apontadas pelas micro e pequenas indústrias de transformação e construção como o principal problema que enfrentam. A queixa em relação à matéria-prima nesses setores vem há um ano e três meses.

Já os empresários das indústrias extrativas relatam que o principal desafio é a elevada carga tributária.

O estudo mostra que a questão energética é um ponto de atenção, já que o país vive uma crise hídrica. No ranking dos principais problemas, por exemplo, também está o alto custo da energia.

Apesar dos problemas, os pequenos empresários seguem otimistas. Mesmo com uma queda de 0,7 ponto no Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) em relação ao segundo trimestre, os 56,9 pontos atuais permanecem acima da linha divisória dos 50 pontos.

Além disso, o resultado é superior à média histórica de 52,6 pontos. Dessa forma, os pesquisadores afirmam que a confiança no setor é elevada e difundida.

Quanto ao futuro

As perspectivas da pequena indústria são favoráveis e registram 51 pontos em outubro. O valor é 1,1 ponto menor que o de setembro e 1,4 ponto menor do que o registrado em outubro de 2020. Apesar da queda, o índice mostra perspectivas estáveis, já que se encontra bem acima da média histórica, de 46,3 pontos.

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Garantia de direitos trabalhistas no campo ainda enfrenta desafios

Auditora diz que desvantagem ainda é grande em relação aos urbanos

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No Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores do Campo, nesta sexta-feira (17), ainda há muitos desafios a serem vencidos no Brasil em relação à precarização dos trabalhadores rurais. A afirmação foi feita à Agência Brasil pela auditora-fiscal do Trabalho e representante da Delegacia Sindical de Minas Gerais do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Sinait), Alessandra Bambirra.

Apesar da grande mecanização em várias culturas, o país ainda tem grande número de trabalhadores rurais com desvantagem em relação aos urbanos em termos de conhecimento, educação, acesso à informação, à internet, aos meios de comunicação.

“A gente tem uma discrepância muito grande quando trabalha com a fiscalização porque vê uma vulnerabilidade muito maior nos trabalhadores do campo”.

Também é observada no campo uma diferença socioeconômica porque, ao mesmo tempo em que se tem empresas e trabalhadores altamente qualificados na área rural, fazendas com grandes produções, ainda são encontrados trabalhadores em situações degradantes de trabalho, sem condições mínimas que garantam dignidade. “A diferença é muito grande em relação ao que encontramos no campo”, disse a auditora-fiscal.

Trabalho escravo

Alessandra confirmou que o trabalho escravo ainda está presente no país. Na zona urbana é encontrado, em sua maior parte, na construção e no trabalho têxtil. No meio rural, apresenta situações muito críticas. 

“Principalmente nas jornadas exaustivas, nas condições degradantes de moradia ou alojamento, servidão por dívida, na qual o empregador cobra do trabalhador tudo que seria obrigação dele. O trabalhador fica com aquela dívida e não consegue se desvincular”, acrescentou.

O estado de Minas Gerais é pioneiro no país no combate ao trabalho escravo, mas Alessandra lembrou que a auditoria-fiscal precisa de estrutura e pessoal para cumprir o seu trabalho. “Dos dois lados ainda encontramos desafios para combater essa chaga”.

Certificação

Ela destacou que é preciso haver política pública mais eficaz, que parta de um interesse genuíno de combate a esse tipo de situação degradante no trabalho. Os auditores-fiscais têm buscado a responsabilização das cadeias produtivas. “Porque, se depender só do cumprimento da legislação, a gente encontra barreiras”.

Alessandra admitiu que já são vistas grandes empresas que trabalham com café, cana, cacau e sisal, por exemplo, tentando fazer o vínculo da marca que está sendo divulgada com todo o processo de produção, que seja livre do trabalho escravo, de trabalho infantil, de condições degradantes, de acidentes e adoecimento por trabalho, e que garanta direitos. 

A certificação de alta qualidade deve ser dada não só ao produto e à marca, mas a todo o processo de produção, defendeu. “A certificação do processo também é importante. E é com isso que contamos na responsabilização de toda a cadeia. Isso é muito importante para que se obter resultados econômicos de forma que as empresas comecem a se responsabilizar por todo o processo”.

O trabalho no campo ainda é marcado pela informalidade, por isso o trabalhador segue mais vulnerável à exclusão previdenciária, à precarização e à invisibilidade institucional. Grande parte dos trabalhadores resgatados de situações irregulares de trabalho é oriunda de regiões mais vulneráveis de Minas Gerais e do Nordeste de forma geral, e muitas vezes aliciados por intermediários conhecidos como “gatos”.

Integração

O Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores do Campo implica a necessidade de ação que integre tanto o poder público quanto as próprias empresas do setor rural.

“O trabalho no campo nunca vai ser desnecessário, porque a população do mundo só aumenta e precisamos de mais alimentos. Há mais demanda por produtos, e o trabalhador é o elo mais frágil dessa cadeia”.

Toda essa estrutura deve ser voltada para o trabalhador do campo, incluindo políticas públicas e básicas, como saúde, educação, acesso à informação, infraestrutura de acesso, garantias previdenciárias. Para Alessandra Bambirra, existe uma discrepância grande demais em relação ao trabalhador do campo para um país como o Brasil.

OIT

Apesar de todas as dificuldades, o Brasil tem políticas reconhecidas na área internacional. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) destaca o modelo brasileiro de Previdência Rural como referência regional, por assegurar proteção social a agricultores familiares, pescadores artesanais e trabalhadores em regime de subsistência, inclusive sem contribuição direta. Paralelamente, o Ministério do Trabalho e Emprego, por meio da Auditoria-Fiscal do Trabalho e da Rede de Observatórios do Trabalho, faz o monitoramento contínuo da informalidade, do trabalho análogo à escravidão e das desigualdades territoriais.

A delegacia sindical de Minas Gerais do Sinait considera que a fiscalização do trabalho é ferramenta fundamental para combater irregularidades e prevenir violações. Em 2025, naquele estado, foram realizadas 783 ações fiscais em estabelecimentos rurais, que identificaram 2.063 trabalhadores em situação irregular e 3.964 irregularidades relacionadas à saúde e segurança no trabalho.

Operações recentes no sul e centro-oeste de Minas Gerais resultaram em 59 trabalhadores resgatados em lavouras de café. No norte do estado, 18 pessoas foram encontradas em condições degradantes em carvoarias, atividade reconhecida pelo alto risco social e ambiental. Em muitos casos, foram identificadas situações envolvendo núcleos familiares, inclusive com presença de crianças e adolescentes e moradias precárias.

Por; Acontece na Selviria

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